Domingo, 12 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de abril de 2026
As causas da queda de um avião de pequeno porte caiu na cidade de Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, nesta sexta (3), ainda serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Segundo especialistas, problemas no motor são uma hipótese inicial, já que a aeronave caiu pouco após decolar, mas há outros motivos possíveis. O acidente resultou na morte dos dois passageiros, o casal de empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, além do sócio da empresa de aviação a que pertencia a aeronave, Renan Saes, e o piloto Nelio Pessanha.
O casal Ortolani era sócio da Feira do Bordado de Ibitinga, em São Paulo, destino da viagem desta sexta. De acordo com a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, as informações preliminares dos documentos do plano de voo e dos familiares presentes no local dão conta de que o casal dividia residência entre Xangri-Lá (RS) e Ribeirão Preto (SP).
A Feira do Bordado de Ibitinga é um dos principais eventos do setor têxtil do país, realizada anualmente na cidade paulista conhecida como a “capital nacional do bordado”. O evento é organizado com participação da prefeitura e de entidades do comércio local. Os Ortolani eram sócios e administradores da feira, que também tem edições em Porto Alegre. Já Renan Saes era sócio da Peluzzi Aviation, que trabalha com compra e venda de aeronaves, além de consultoria no setor. O avião do acidente seria da empresa.
Pouco antes do acidente aéreo, Renan Saes publicou um vídeo, em suas redes sociais, com imagens da vista da janela de um avião. Não há confirmação se trata-se da mesma aeronave, mas a mídia foi publicada momentos antes da queda, que ocorreu às 10h38 desta sexta. O avião estava sendo pilotado por Nelio Pestana, a quarta vítima da tragédia.
O acidente aconteceu logo após a decolagem do aeroporto municipal da cidade. O avião caiu a apenas cerca de uma quadra de distância, na Avenida Valdomiro Cândido dos Reis, em um restaurante. De acordo com comunicado do Corpo de Bombeiros, “Conforme informações preliminares, a aeronave estaria voando em baixa altitude, momento em que passou a perder altura e veio a cair”. O órgão também explicou que o avião veio de São Paulo, parou em Criciúma (SC) para abastecer, e chegou em Capão da Canoa para buscar o casal, antes de retornar a São Paulo.
As imagens captadas por câmeras de segurança mostram o momento que o avião colide com uma casa, uma loja e um restaurante, que estava fechado, em uma área residencial de Capão da Canoa. Outros vídeos feitos por moradores mostram fumaça e fogo após a queda da aeronave. Os moradores vizinhos foram retirados por conta do risco de explosões e, até o momento, não foram registrados feridos em relação, informou a Defesa Civil.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul afirmou que, segundo os documentos do plano de voo, o avião seguiria para o aeroporto de Itápolis (SP), o mais próximo de Ibitinga, cidade onde ocorre a Feira de Ibitinga.
O especialista em gerenciamento de riscos Gerardo Portela explicou que, pelas imagens, foi possível perceber que o avião estava na chamada posição de “estol” no momento da colisão. Essa classificação é dada quando a aeronave está com o “nariz” para cima, indicando não haver mais sustentação, ou seja, não possuía velocidade mínima para seguir voo e passa a cair.
As causas, explica, podem ser muitas, mas a primeira hipótese é alguma falha no motor, seja por problema de mau funcionamento ou por uso de combustível inadequado. Isso pode ter prejudicado a velocidade no momento da decolagem, diz Portela.
“Se essa velocidade mínima não for alcançada, pode ser até que o avião decole, mas ele não decola com a velocidade necessária para o motor conseguir manter o voo. Então, essa é uma possibilidade. Não tem nenhum sinal de fogo pelas imagens. Então, aparentemente, não tinha nada em chamas no na aeronave”, afirma Portela, que destaca que o número de acidentes envolvendo aviação privada no Brasil precisa ser bem fiscalizado.
O especialista chamou a atenção para o fato do avião ter feito escala ao longo do voo. Depois de sair de São Paulo, parou em Criciúma antes de chegar em Capão da Canoa. Por isso, ele disse que é preciso verificar o plano de voo para identificar se todas as informações, como quantidade de passageiros, peso total, tipo e quantidade de combustível estavam bem calculados. Outra preocupação é saber se o piloto estava bem descansado. (Com informações do jornal O Globo)