Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de janeiro de 2026
Ao menos 104 presos políticos foram libertados na Venezuela no domingo (26), informou a organização não governamental Foro Penal, que monitora detenções por motivos políticos no país. A contagem ainda está em andamento e o número pode aumentar à medida que mais nomes sejam verificados pela ONG.
A liberação faz parte de um processo de soltura iniciado no começo de janeiro pelo governo interino da presidente Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos no início do mês. O anúncio ocorre em meio a crescentes pressões internacionais, especialmente dos EUA, para avanços em direitos humanos e transparência no sistema judicial venezuelano.
Segundo Foro Penal, as liberdades verificadas neste domingo ocorreram em diferentes prisões do país e incluem jornalistas, advogados e estudantes. Entre os libertados está o advogado e defensor dos direitos humanos Kennedy Tejeda, que estava detido desde agosto de 2024 após oferecer assistência legal a presos em Carabobo.
O número de 104 solturas representa apenas parte de um processo que começou em 8 de janeiro. De acordo com a ONG, aproximadamente 375 presos políticos foram libertados desde dezembro, enquanto o governo interino afirma ter realizado 626 solturas no mesmo período, sem divulgar uma lista oficial de nomes ou datas. Essa diferença de contagem reflete uma disputa sobre os critérios e a transparência do processo.
Criticando a falta de listas públicas de libertados, o diretor de Foro Penal, Alfredo Romero, afirmou nas redes sociais que a organização continuará verificando os casos e pediu que o governo divulgue oficialmente os detalhes dos liberados. Já o vice-presidente do grupo, Gonzalo Himiob, ressaltou que as confirmações ainda são parciais e podem aumentar conforme o trabalho de identificação avance.
Enquanto isso, a presidente interina Delcy Rodríguez defende o processo como um passo para a reconciliação nacional, embora tenha também criticado a interferência estrangeira na política venezuelana. Recentemente, ela anunciou que pretende conversar com o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, para solicitar verificação dos dados de soltura e reforçar a legitimidade das medidas tomadas.
Entretanto, a oposição e grupos de direitos humanos continuam a denunciar a lentidão e a falta de transparência nas libertações. Familiares de presos políticos mantêm vigílias em frente a unidades prisionais em diversas regiões, demandando a libertação de entes queridos que ainda permanecem detidos em meio ao processo.
Organizações de direitos humanos estimam que ainda haja centenas de pessoas presas por motivos políticos em instituições venezuelanas, mesmo após a série de liberdades recentes, e cobram que as solturas sejam acompanhadas da revogação formal de acusações e do fim das restrições legais impostas a quem deixa o cárcere.
O processo de soltura de presos políticos na Venezuela segue sob observação internacional, com olhares voltados para o equilíbrio entre pressões externas, demandas internas por justiça e os esforços oficiais de normalizar a situação política no país.