Terça-feira, 24 de março de 2026

Vereadores de Curitiba propõem “projeto anti-Erika Hilton”

Um projeto de resolução protocolado na Câmara Municipal de Curitiba propõe restringir a ocupação de cargos na Procuradoria da Mulher a pessoas do sexo biológico feminino. A iniciativa é de autoria do vereador Guilherme Kilter (Novo) e conta com o apoio de outros parlamentares, somando 37 assinaturas.

A proposta altera o regimento interno da Casa e tem sido chamada por críticos de “Projeto Anti-Erika Hilton”, em referência à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Na justificativa, o texto cita a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados como exemplo do que classifica como “distorção conceitual”.

Segundo o autor, a medida busca garantir que espaços institucionais voltados à pauta feminina sejam ocupados por mulheres que, em sua avaliação, vivenciam experiências específicas, como maternidade e questões de saúde relacionadas ao sexo biológico. Kilter argumenta que a participação de mulheres trans nesses cargos comprometeria a representatividade dessas pautas.

Na prática, o projeto estabelece um critério biológico para a ocupação de funções na Procuradoria da Mulher, órgão responsável por receber denúncias, promover debates e propor políticas públicas relacionadas aos direitos das mulheres no âmbito do Legislativo municipal.

A proposta, no entanto, deve enfrentar resistência de movimentos sociais e de parlamentares contrários à medida, além de potencial questionamento jurídico. Isso porque tratados internacionais e diretrizes de organismos como a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhecem a identidade de gênero como um direito humano fundamental e recomendam o combate à discriminação com base nesse critério.

Especialistas apontam que iniciativas semelhantes têm gerado controvérsias no país, ao confrontar entendimentos já consolidados em decisões judiciais sobre o reconhecimento da identidade de gênero e o direito à igualdade.

Para avançar, o projeto ainda precisa cumprir etapas regimentais, incluindo a validação das assinaturas e a inclusão na pauta para discussão e votação em plenário. Caso seja aprovado, o texto poderá abrir um novo capítulo no debate político e jurídico sobre identidade de gênero e representação institucional no Brasil.

(Com O Globo)

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