Quarta-feira, 08 de abril de 2026

Vídeo usa informações falsas sobre médicos em avião da Voepass para espalhar teoria da conspiração

Circula nas redes sociais um vídeo que afirma que 15 médicos especialistas nas áreas de oncologia, epidemiologia e pneumologia estariam na lista de passageiros do voo que caiu em Vinhedo (SP). Segundo o vídeo, o acidente teria sido planejado por uma “elite mundial” para impedir a denúncia que fariam a respeito da orquestração de uma nova pandemia com a “doença X”.

A informação é falsa. Eram quatro médicos no voo, e não 15, de acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná (CRM-PR). Apenas duas profissionais eram especializadas em oncologia; havia ainda um radiologista e uma pediatra. Não há ligação comprovada entre as vítimas e pesquisas sobre uma “doença X” – termo usado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para uma doença que possa afetar o mundo no futuro. Consultada pelo Verifica, a OMS esclareceu que o vídeo tem informações falsas.

Vale ressaltar que as causas do acidente em Vinhedo ainda não foram esclarecidas. O voo enfrentou condições meteorológicas “caóticas”, mas ainda não há uma conclusão oficial das investigações. A Força Aérea Brasileira (FAB) estima cerca de 20 dias para a divulgação de um relatório preliminar sobre o acidente.

A confusão com a quantidade de profissionais da saúde entre os passageiros foi gerada por uma fala do vice-presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella. Ele divulgou inicialmente que eram 15 médicos entre as vítimas; depois, falou outro número equivocado, 8. De acordo com Baptistella, a imprecisão foi causada pelo adiantamento das passagens aéreas de alguns passageiros.

Segundo o CRM-PR, as oncologistas que morreram no acidente são Arianne Albuquerque Risso (CRM-PR 52.433) e Mariana Comiran Belim (CRM-PR 42.998). Entre as vítimas também consta o radiologista José Roberto Leonel Ferreira (CRM-PR 11.741) e a pediatra e alergista Sarah Sella Langer (CRM-PR 30.485). O Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo identificou todas as pessoas que estavam a bordo.

O autor do vídeo afirma que os médicos mortos eram especialistas em sequenciamento genético de vírus e que eles teriam conseguido “sequenciar toda a estrutura genômica viral do vírus covid no Brasil e isolar as principais cepas”, mas isso não é verdade. Não há evidências que nenhum dos médicos vitimados no acidente tenha trabalhado com sequenciamento genético em sua carreira.

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