Sexta-feira, 10 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de julho de 2026
Cerca de 150 adolescentes de jovens da 2ª edição do programa estadual “Partiu Futuro – Reconstrução” participaram, em Porto Alegre, de palestra sobre prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres. A atividade foi conduzida no auditório da Faculdade Estácio por policiais da Brigada Militar (BM) que atuam na Patrulha Maria da Penha.
O encontro integrou o ciclo “Diálogos que Protegem – Vozes pela Vida: Juventude, Respeito e Cultura da Paz”, promovido pela Demà Aprendiz, tecnologia social da Renapsi. No foco está a identificação das diferentes formas de violência, o combate à naturalização de comportamentos abusivos e a construção de relações pautadas por respeito e igualdade.
Durante o encontro foi detalhado o funcionamento da Lei Maria da Penha e da patrulha especializada, bem com mecanismos de proteção às vítimas e a importância da denúncia. As informações contaram com relatos de casos reais desse tipo de incidente.
Dentre as palestrantes estava uma soldado da BM vinculada ao programa. Ela destacou a importância de se levar informações aos jovens: “A gente tenta conscientizá-los sobre os sinais de alerta antes da agressão física, tais como gritar, ameaçar e ofender, de forma a não normalizarem esse tipo de explosão. Também tentamos incentivá-los a procurar ajuda. Depois de adultos, tudo fica mais difícil”.
A iniciativa reúne representantes de órgãos especializados, como Centros de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), Centros de Referência da Mulher (CRM), Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), Procuradoria da Mulher e Promotoria Especializada de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
Levava a 30 municípios gaúchos, a atividade se encerrará com o “Fórum Vozes pela Vida: de jovem para jovem no fortalecimento da cultura do respeito à mulher”, previsto para o início de agosto na capital gaúcha. O encontro terá a presença de centenas de participantes para ampliar a reflexão sobre juventude, direitos, prevenção da violência e construção de uma sociedade mais segura e igualitária.
Gurizada se manifesta
“Foi uma experiência muito boa, aprendemos sobre a Lei Maria da Penha e também que violência não é só agressão e assédio, há muitos outros sinais que temos que ficar ligados”, avaliou o estudante Teylor Souza, 15 anos, de Viamão. “Vou ficar mais atento e procurar prestar mais atenção nas coisas que acontecem ao meu redor.”
Rafaella Barcelos, 17 anos e residente em Porto Alegre, opinou que as escolas deveriam conversar mais com os jovens sobre esses temas: “As palestras têm sido muito importantes para trazer uma maior reflexão. Quando a gente aprende desde pequeno, leva para toda a vida”.
“Partiu Futuro – Reconstrução”
Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos participam da segunda edição do “Partiu Futuro – Reconstrução”. A Demà Aprendiz atende parte desse montante: 1.840 em 30 cidades. O programa é promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) do Rio Grande do Sul.
Cabe à Demà Aprendiz a coordenação da capacitação teórica e o acompanhamento das atividades realizadas em órgãos públicos, aliando aprendizagem profissional e desenvolvimento integral dos participantes para qualificação ao mundo do trabalho. Os adolescentes e jovens conciliam formação teórica (uma vez por semana) e atuação em órgãos estaduais ou municipais (quatro dias por semana).
A iniciativa é voltada a estudantes na faixa etária de 14 a 22 anos, egressos ou matriculados na rede pública de ensino, inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e que foram impactadas pelas enchentes de maio de 2024 ou residem em municípios contemplados pelo programa “RS Seguro”. O contrato tem duração de um ano e prevê carga total de 1.040 horas.
Eles recebem bolsa-auxílio de R$ 894 para jornada de 20 horas semanais, vale-alimentação de R$ 550 e, quando necessário, vale-transporte. Também contam com carteira assinada e acesso a todos os direitos garantidos por lei, inclusive FGTS, INSS, férias e 13º salário.
(Marcello Campos)