Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de janeiro de 2026
O período de calor intenso e férias escolares exige cuidados redobrados com a saúde, especialmente em regiões turísticas. No último verão, cidades do litoral paulista registraram aumento significativo de casos de viroses gastrointestinais. Um dos episódios mais graves foi a morte de uma jovem de 29 anos, ocorrida no dia 4 de janeiro, em Cristais Paulista, no interior de São Paulo, após um quadro severo de virose. Ela havia retornado do Guarujá dois dias antes.
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, os surtos registrados na Baixada Santista tiveram como principal agente o norovírus. No entanto, quadros de gastroenterite — inflamação que atinge o estômago e os intestinos — e gastroenterocolite, que envolve também o intestino delgado e o cólon, podem ser causados não apenas por vírus, mas também por bactérias e parasitas. Apesar das diferentes origens, os sintomas e as formas de tratamento são semelhantes.
A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio do contato com água e alimentos contaminados. Entre os sintomas mais comuns estão náusea, vômito, diarreia e dor abdominal. Em alguns casos, também podem surgir dores musculares, cansaço, dor de cabeça e febre baixa.
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Gustavo Patury, da Rede D’Or, as infecções virais costumam ser mais leves. “Os quadros geralmente se resolvem entre três e cinco dias e têm como principais agentes o norovírus, o rotavírus e o adenovírus”, explica.
Já as infecções bacterianas tendem a apresentar maior gravidade. “A febre costuma ser mais alta, a dor abdominal é intensa e a diarreia pode ocorrer até dez vezes ao dia, persistindo por até duas semanas. Em alguns casos, há presença de muco e sangue nas fezes. Um dos principais riscos é a desidratação”, alerta o especialista.
Quando o paciente não consegue controlar a diarreia ou manter a hidratação, a recomendação é procurar atendimento médico, especialmente no caso de crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes. A desidratação grave pode desencadear complicações, como a pancreatite aguda.
O aumento das temperaturas, o hábito de se alimentar fora de casa e o armazenamento inadequado de alimentos contribuem para a proliferação dos agentes infecciosos, segundo o médico.
Prevenção
Para reduzir o risco de contaminação, especialistas recomendam medidas simples de higiene e cuidado com a alimentação, como lavar as mãos com água e sabão, higienizar corretamente frutas e verduras, evitar alimentos fora da refrigeração por longos períodos e consumir apenas água filtrada, mineral ou fervida. Também é importante evitar praias impróprias para banho e ter atenção à procedência de gelo e água mineral.
Durante crises gastrointestinais, a orientação é reforçar a hidratação e optar por alimentos leves, como arroz, frango, frutas, torradas e bolachas simples. Alimentos gordurosos, doces e derivados do leite devem ser evitados. Medicamentos podem aliviar os sintomas, mas a persistência ou recorrência do quadro exige avaliação médica.