Sábado, 28 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de fevereiro de 2026
Pesquisadores da Universidade do Sul da Dinamarca e do Hospital Universitário de Odense, também na Dinamarca, descobriram um vírus até então desconhecido em uma bactéria intestinal comum. Esse vírus aparece com mais frequência em pacientes com câncer colorretal, conhecido como câncer de intestino ou câncer de cólon, de acordo com o estudo publicado na revista Communications Medicine. No entanto, ainda não é possível afirmar que esse vírus causa diretamente esse tipo de tumor.
O câncer colorretal é um dos tipos de câncer mais comuns atualmente e uma das principais causas de morte relacionada ao câncer. Idade, dieta e estilo de vida são fatores de risco conhecidos. No entanto, na maioria dos casos, ainda não compreendemos com precisão o que desencadeia a doença. Nos últimos anos, os pesquisadores têm voltado cada vez mais sua atenção para o ecossistema intestinal — a vasta comunidade de bactérias, vírus e outros microrganismos que ali vivem.
Bactéria familiar
Há vários anos, uma bactéria em particular tem sido associada ao câncer colorretal: a Bacteroides fragilis. A dificuldade reside no fato de que essa bactéria também está presente na grande maioria dos indivíduos saudáveis.
“É um paradoxo encontrarmos repetidamente a mesma bactéria em casos de câncer colorretal, enquanto, ao mesmo tempo, ela é uma parte completamente normal do intestino de pessoas saudáveis”, afirma Flemming Damgaard, médico e doutor em Microbiologia Clínica pelo Departamento de Microbiologia do Hospital Universitário de Odense e pela Universidade do Sul da Dinamarca, em comunicado
Os pesquisadores, portanto, decidiram examinar se poderiam existir diferenças dentro da própria bactéria.
Vírus escondido
Em pacientes que posteriormente desenvolveram câncer colorretal, a bactéria carregava com muito mais frequência um vírus específico — um vírus que vive dentro de bactérias, conhecido como bacteriófago.
“Descobrimos um vírus que não havia sido descrito anteriormente e que parece estar intimamente ligado às bactérias que encontramos em pacientes com câncer colorretal”, diz Damgaard.
De acordo com os pesquisadores, o vírus representa novos tipos que não haviam sido identificados anteriormente.
“Não é apenas a bactéria em si que parece interessante. É a bactéria em interação com o vírus que ela carrega”, explica ele.
O estudo demonstra uma associação estatística entre o vírus e o câncer colorretal, mas não pode determinar se o vírus desempenha um papel direto no desenvolvimento da doença.
“Ainda não sabemos se o vírus é uma causa contribuinte ou se é simplesmente um sinal de que algo mais no intestino mudou”, diz Damgaard.
A pesquisa começou com dados de um amplo estudo populacional dinamarquês envolvendo cerca de dois milhões de cidadãos. Os pesquisadores identificaram pacientes que haviam sofrido uma infecção grave na corrente sanguínea causada pela bactéria Bacteroides fragilis.
Um grupo menor desses pacientes foi diagnosticado com câncer colorretal em poucas semanas. A equipe então analisou o material genético da bactéria em pacientes com e sem câncer e identificou um padrão distinto: as bactérias de pacientes com câncer estavam infectadas com vírus específicos com mais frequência.
A descoberta inicial foi baseada em um número relativamente pequeno de amostras bacterianas de pacientes dinamarqueses. No entanto, revelou um padrão que os pesquisadores puderam examinar posteriormente em conjuntos de dados internacionais maiores.
“Foi em nosso material dinamarquês que detectamos um sinal pela primeira vez. Isso nos deu uma hipótese concreta, que então pudemos investigar em conjuntos de dados maiores”, afirma Damgaard.
Para determinar se o padrão também se aplicava fora da Dinamarca, os pesquisadores analisaram amostras de fezes de 877 indivíduos com e sem câncer colorretal da Europa, Estados Unidos e Ásia. Eles descobriram que pacientes com câncer colorretal tinham aproximadamente o dobro da probabilidade de apresentar traços desses vírus no intestino.
“Era importante para nós examinar se a associação poderia ser reproduzida em dados completamente independentes. E pôde”, afirma Damgaard.
Os resultados apontam para uma forte associação estatística em diversos países. No entanto, eles não estabelecem se o vírus causa a doença. (Com informações do jornal O Globo)