Terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Você já parou para pensar na sua marca pessoal? Entenda

Muito se fala hoje sobre marca pessoal, mas ainda existe uma compreensão superficial do que isso realmente significa. Posicionamento não é vaidade, nem privilégio de quem aparece na televisão ou ocupa cargos públicos. Ele diz respeito a qualquer pessoa que se relaciona, trabalha, lidera, negocia e convive em sociedade.

Toda pessoa já possui uma marca. Ela é formada pela forma como se comunica, pelas decisões que toma, pelos limites que estabelece e pela maneira como reage às situações do dia a dia. A diferença está entre quem assume essa construção de forma consciente e quem permite que ela seja definida pelo acaso ou pela leitura externa.

No mundo figital em que vivemos, físico e digital deixaram de ser instâncias separadas. A postura presencial, a comunicação online, o comportamento profissional e até as ausências comunicam. Hoje, não escolher o que mostrar, como falar e onde se posicionar é permitir que terceiros definam qual versão sua será conhecida.

Posicionamento de marca pessoal é coerência entre discurso, atitude e entrega. É quando o que se diz encontra respaldo no que se faz e no que se sustenta ao longo do tempo. Não se trata de parecer algo, mas de ser reconhecido por aquilo que se construiu com consistência. No fundo, posicionar-se é comunicar valor.

No mercado, isso se traduz de forma objetiva. Profissionais bem posicionados não precisam se explicar o tempo todo. São lembrados, indicados e procurados porque transmitem segurança. As pessoas sabem o que esperar deles. Isso reduz ruído, evita conflitos desnecessários e atrai oportunidades mais alinhadas.

Esse movimento também é visível no ambiente corporativo. Cada vez mais líderes e executivos compreendem que sua imagem pública não é um detalhe, mas parte do valor percebido da empresa. Não são os CEOs que viraram influenciadores que inspiram o mercado. São os líderes que entenderam que, no mundo figital, liderar sem comunicar é perder o controle da narrativa. E quem perde a narrativa, cedo ou tarde, perde valor.

Um erro comum é associar posicionamento apenas à imagem estética. A imagem importa, mas é consequência. Antes dela vem a clareza. Quem não define critérios aceita qualquer convite, muda o discurso conforme o ambiente e acaba diluindo valor. Posicionar-se exige escolhas. E toda escolha implica renúncia.

Para quem deseja iniciar esse processo de forma consciente, algumas perguntas ajudam a trazer lucidez. Pelo que você é lembrado quando não está presente? Em quais situações sua presença gera confiança? E quais comportamentos seus se repetem, mesmo quando não há intenção de comunicar nada?

As respostas raramente estão apenas na percepção individual. Posicionamento deixa de ser intuitivo quando passa a ser tratado como ativo estratégico.

Marcas pessoais sólidas não se constroem em momentos pontuais. Elas se consolidam na repetição de comportamentos, decisões e posturas ao longo do tempo. Reputação não nasce de frases bem formuladas, mas da coerência sustentada mesmo quando não há plateia.

Hoje, queira ou não, a sua marca pessoal é o que as pessoas sentem, pensam ou dizem quando escutam o seu nome. Ela existe antes da sua presença e permanece depois da sua saída.

A pergunta é simples, mas exige honestidade: você sabe qual é a sua marca pessoal?

 

Suellen Ribeiro,
Empresária, mentora em posicionamento de marca pessoal e apresentadora do Jornal da Pampa

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