Domingo, 29 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de março de 2026
Na esteira do caso Master, o Banco Central decretou nessa semana a liquidação extrajudicial de três instituições integrantes do conglomerado Entrepay: Entrepay Instituição de Pagamento S.A., Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e Octa Sociedade de Crédito Direto S.A.. As autoridades brasileiras suspeitam que o banqueiro Daniel Vorcaro era uma espécie de “dono oculto” da Entrepay. O diretor da instituição, Antônio Carlos Freixo Júnior – que teve a indisponibilidade dos bens decretada –, é visto nos bastidores como um operador que usava a infraestrutura do conglomerado em benefício de Vorcaro.
Segundo pessoas que acompanham as investigações, as suspeitas são de que as relações de Vorcaro com a Entrepay seguiam o mesmo modelo das ligações entre o Master e a Reag Investimentos – também liquidada pelo BC. Uma série de fundos da gestora foi usada em esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o banqueiro. Essas ações são investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
Freixo Júnior foi alvo da segunda fase da operação, que investigava as relações entre o Master e a Reag. Ele também foi um dos acusados – junto com o próprio Vorcaro – em um processo da CVM que apura irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimento fechados. Em dezembro, a CVM rejeitou uma proposta de acordo para encerrar o processo.
O grupo Entrepay era de pequeno porte, enquadrado no chamado segmento 4 (S4) da regulação prudencial do BC. Em dezembro de 2025, detinha cerca de 0,009% do ativo total do sistema financeiro. Segundo o BC, as entidades liquidadas não tinham captação de recursos com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A liquidação levou em consideração não apenas o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, mas também a “infringência às normas que disciplinam sua atividade” e “prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores”, informou o BC. Essa infringência de normas está relacionada justamente às investigações sobre o ecossistema do Master.
Em nota, o Grupo Entre, controlador das instituições ligadas à Entrepay que foram liquidadas, negou que Vorcaro atue como sócio oculto das empresas. “Não existe qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre o empresário e a companhia”, disse. “A companhia reafirma seu compromisso com a transparência, a colaboração com as autoridades e a correção de informações que possam gerar interpretações equivocadas sobre sua estrutura ou atuação”, acrescentou.
Já a defesa de Vorcaro negou “de forma veemente que Vorcaro seja ‘dono oculto’ da empresa” e disse que houve apenas relação comercial entre Master e Entrepay. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)