Quarta-feira, 04 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de março de 2026
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha um grupo em aplicativo de mensagens com o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana. Segundo a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, ambos atuavam como consultores privados de Vorcaro para assuntos relacionados ao BC e recebiam propina por isso. Entre os pagamentos, a decisão menciona uma viagem a Disney feita por Souza cujo guia foi pago pelo dono do Master
O documento cita também a simulação de um contrato de consultoria com a empresa Varejo Consultoria Empresarial para justificar pagamentos para Santana. De acordo com a decisão, há diversas comunicações entre Vorcaro e Souza nas quais o banqueiro “solicitava orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis perante autoridades regulatórias”.
Nessas conversas, o ex-diretor “chega a dar sugestões a Daniel Vorcaro sobre como deve se comportar em reunião com o presidente do BC”. Na época, a autoridade monetária era presidida por Roberto Campos Neto.
O mesmo acontecia com o Belline Santana. Assim, segundo a decisão de Mendonça, os dois articulavam dentro do BC os interesses do Banco Master. Isso acontecia a partir da influência na análise de processos administratibos, fornecimento de informações sobre procedimentos em curso e a indicação de estratégias para contornar dificuldades regulatórias enfrentadas pelo Master.
Em algumas situações, aponta o documento, Vorcaro recebia alertas prévios sobre movimentações financeiras que o BC tinha identificado em seus sistemas de monitoramento, o que o permitia adotar medidas para mitigar os questionamentos futuros.
Para facilitar a comunicação entre Vorcaro e os dois servidores do BC, foi criado um grupo de mensagens. Nele, aponta o relatório de Mendonça, eram compartilhados documentos e informações. No caso do ex-diretor Paulo Sérgio de Souza, aponta Mendonça, há indícios de que ele intermediava ou auxiliava o Banco Master em operaçõeas societárias e financeiras, chegando a indicar potenciais interessados na compra de uma instituição financeira vinculada ao grupo de Daniel Vorcaro. Ele também teria atuado como interlocutor informal entre o banqueiro e agentes do mercado.
Já em relação a Belline Santana, o relatório de Mendonça aponta contatos telefônicos entre ambos em diversas ocasiões, o que indicaria a intenção de evitar registros por escrito, e encontros fora das dependências do BC. Nesses encontros, era discutido como o Banco Master deveria se portar diante das cobranças da autoridade monetária. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)