Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de outubro de 2026
Apenas 34.330 votos foram computados depois das 17h de domingo (25), horário previsto para o encerramento do segundo turno das eleições. O número representa 0,027% dos 127,8 milhões de votos registrados no país e não teria peso suficiente para alterar o resultado da disputa presidencial.
Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e foram compilados pela setup.news, em parceria com a CNN Brasil, a partir dos registros individuais das urnas eletrônicas. A análise considera as urnas instaladas no Brasil e exclui a votação no exterior, onde o pleito segue o horário local.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com vantagem de cerca de 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro (PL). O petista recebeu 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões do adversário. Assim, mesmo que todos os 34,3 mil votos registrados depois das 17h fossem atribuídos a um único candidato, eles seriam insuficientes para modificar o resultado da eleição.
O levantamento analisou os logs de 497.895 das 497.897 urnas utilizadas no Brasil. Esses arquivos registram, entre outras informações, o horário em que cada eleitor foi habilitado e em que o voto foi computado, mas não permitem identificar em quem cada pessoa votou.
Dos votos registrados após as 17h, a maior parte ocorreu imediatamente depois do encerramento regular da votação. Foram 29.001 nos primeiros cinco minutos. Depois das 18h, apenas 1.993 votos foram computados, e somente 11 entraram após as 19h.
A concentração nos primeiros minutos indica que boa parte desses eleitores já estava na fila ou em processo de votação quando o relógio marcou 17h. Pelas regras eleitorais, quem já está na fila no horário de encerramento tem direito a votar, mesmo após o fechamento do local de votação.
No primeiro turno, quando o eleitor precisava registrar voto para mais cargos, em comparação, 3.724.999 eleitores votaram após as 17h. Depois das 18h, foram registrados 1.993 votos. Após as 19h, 11 votos.
O pleito se estendeu excepcionalmente nesse domingo após decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou o funcionamento das seções até as 19h. A liminar foi divulgada à imprensa às 17h03, três minutos depois do horário normal de encerramento da votação.
Como muitas urnas já haviam sido fechadas, Zanin esclareceu posteriormente que a medida deveria ser cumprida apenas nos locais em que as seções ainda estavam abertas. Às 17h49, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, enviou ofícios aos tribunais regionais eleitorais orientando que essas seções permanecessem em funcionamento até as 19h.
As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro haviam solicitado ao TSE mais tempo para a votação. A campanha petista relatou problemas de transporte público, entre eles falta de ônibus, redução de frota e cobrança indevida de passagens. Já a campanha de Flávio Bolsonaro pediu extensão em estados das regiões Sul e Sudeste em razão das chuvas.
Os dados também mostram que a extensão teve alcance restrito. Das 497.897 urnas do país, 468.043, ou cerca de 94%, não receberam nenhum voto depois das 17h.