Sábado, 11 de abril de 2026

Zema pede prisão de Alexandre de Moraes na Federasul

No almoço “Tá na Mesa” da Federasul, em Porto Alegre, Romeu Zema trouxe uma fala que misturou pragmatismo econômico com contundência política. O pré-candidato à Presidência em 2026 defendeu cortes de gastos públicos como caminho para reduzir os juros, mas foi ao tratar da relação entre poderes que surpreendeu: pediu a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acusando-o de usar o cargo para benefício pessoal e de estar em cumplicidade com o governo federal.

Zema iniciou sua palestra lembrando sua trajetória empresarial e como aplicou princípios de gestão privada ao governo de Minas Gerais. Disse ter rodado mais de dois milhões de quilômetros para implantar lojas em 470 cidades, e que, como governador, abriu mão de privilégios: dispensou o palácio oficial, reduziu cargos comissionados e tornou públicos todos os seus gastos e voos. “Enquanto Brasília coloca 100 anos de sigilo, eu sempre prestei contas no mês seguinte. É isso que o Brasil precisa”, afirmou.

O discurso ganhou força ao detalhar medidas de austeridade que implementou em Minas: corte de 50 mil cargos, renegociação de contratos com até 90% de desconto, e investimentos em infraestrutura e saúde com os recursos economizados. Para ele, esse modelo mostra que “quando não se deixa a raposa perto do galinheiro, o Estado funciona”.

Na parte econômica, Zema foi enfático: “O Brasil é um dos países com juros mais altos do mundo. Isso é um freio de mão na atividade econômica. Se o governo cortar gastos, os juros caem pela metade e a prestação que todo brasileiro paga diminui”. Ele defendeu reformas administrativa e previdenciária, além da revisão de programas sociais, para reduzir a dívida pública e liberar espaço para investimentos produtivos.

O ex-governador também criticou a criminalização do empresariado. “Hoje, quem produz é visto quase como criminoso. É uma pauta da esquerda, que tenta convencer que o pobre é explorado. Mas a verdade é que milhões de pequenos empreendedores carregam o país”, disse, citando exemplos de feirantes e produtores rurais.

Na segurança pública, defendeu endurecimento contra reincidentes: “Quem tiver três ocorrências não pode ser solto em audiência de custódia. Hoje temos criminosos com 88 roubos de celular que continuam livres. Isso é incentivar a criminalidade”.

Zema ainda abordou o potencial do Brasil em segurança alimentar, energética e mineral. Lembrou que Minas Gerais, sob sua gestão, passou a exportar mais produtos agrícolas do que minérios, após flexibilizar regras ambientais para irrigação e barragens. Citou o nióbio de Araxá como exemplo de produto de alto valor agregado que deveria ser replicado em outras áreas minerais. E criticou o “modismo” de soluções energéticas, defendendo maior valorização do etanol e da matriz hidroelétrica nacional.

Ao final, endureceu contra o Supremo: “O que eles fizeram é criminoso. Merecem não só impeachment, mas prisão. É usar o cargo para benefício pessoal. Isso está claríssimo”. A fala, recebida com aplausos por parte da plateia, marcou sua estratégia de se apresentar como candidato disposto a enfrentar privilégios e confrontar instituições. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)

 

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