Libretos lança livro inédito do poeta simbolista Eduardo Guimaraens

“Poemas” (Libretos, 2018, 88 páginas, R$ 30. Na Feira: R$24) foi escrito em 1926 em francês pelo poeta Eduardo Guimaraens, falecido em 1928, e publicado em obra bilíngue, traduzida pelos poetas Lívia Petry e Alcy Cheuiche.

O lançamento aconteceu no último sábado, dia 10 de novembro, às 18 horas, no Salão Mourisco da Biblioteca Estadual do RS (Rua Riachuelo, 1190).

A neta Maria Etelvina Guimaraens (organizadora) e demais netos e bisnetos da família Guimaraens estiveram presentes para homenagear a memória de Eduardo. A título de sessão de autógrafos, a obra foi carimbada pelos familiares com ex-libris do poeta feira por ele mesmo.

Noo final, aconteceu a apresentação musical da cantora lírica Nelly Baudalf, de duas pequenas árias, favoritas de Eduardo Guimaraens.

O lançamento integrou a programação da 64ª Feira do Livro de Porto Alegre, com apoio da Biblioteca Pública do Estado. O livro tem edição da Libretos. Contemporâneo de Fernando Pessoa, a obra de Eduardo Guimaraens esteve presente na exposição sobre o poeta português.

Lívia Petry fala sobre a obra do autor. “Eduardo Guimaraens é um dos expoentes do Simbolismo no Brasil e este livro vem mostrar um pouco da sua produção. O Simbolismo nasceu na França e tem entre seus precursores e principais seguidores poetas como Baudelaire, Mallarmé, Verlaine, Rimbaud, entre outros. Este movimento caracteriza-se particularmente por dar à poesia o status de arte total: para os simbolistas, a poesia deveria evocar a melodia da música, e também as cores das paletas dos pintores, os cheiros que inun­dam as cidades e os campos, a textura da pele das crian­ças, enfim, ser cinestésica e completa.

Eduardo Guimaraens segue à risca esses preceitos e faz com que ao lê-lo sejamos levados pelo tom melódico das palavras. Os versos deste poeta bem podem ser chamados de canções, tais as suas aliterações e assonâncias, que fazem deles verdadeiras melodias. Também suas imagens nos levam para o mundo das sensações: podemos tocar, cheirar, sentir seus poemas.”

A organizadora Maria Etelvina Guimaraens comenta o legado do avô:

“Nosso avô morreu cedo, muito cedo, aos 36 anos. Seus filhos Dante Gabriel e Carlos Rafael tinham quatro e dois anos. Assim, nosso avô jovem foi sempre uma presença ausente. Nosso avô jovem era poeta simbolista, foi diretor da Biblioteca Pública do Estado. Era questão certa no vestibular.
A beleza de seus poemas sempre permeou nossas vidas. Assim como a música da Dinha, nossa tia bisavó cantora que tinha seus 90 anos. Nossos encontros, dos primos, nos sábados à tarde, na casa dela, eram aventura, afeto e memória. Os saraus de seu aniversário, dia 6 de fevereiro, eram encantados com poesia, música, dança. Na casa da Duque.”



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