O Rio Grande do Sul tem perdas de mais de 770 milhões de reais em soja e arroz por causa das chuvas

O Rio Grande do Sul, um dos maiores produtores de grãos do Brasil, já registra perdas por chuvas excessivas nas lavouras de soja e arroz estimadas em quase 800 milhões de reais, informou nesta quarta-feira (23) a Emater, o órgão de assistência técnica do Estado.

A estimativa foi feita após a Emater realizar levantamento sobre os efeitos das chuvas, que chegaram a mais de 600 milímetros em alguns municípios em apenas uma semana, especialmente na região da Campanha e Fronteira Oeste do Estado, o maior produtor de arroz do Brasil.

A situação no Rio Grande do Sul, tradicionalmente o terceiro produtor de soja do Brasil, difere de outros Estados do País, que sofreram com a seca e altas temperaturas, motivando revisões para baixo nas estimativas de produção nacional da oleaginosa para 117 milhões de toneladas, segundo pesquisa da Reuters publicada nesta quarta-feira.

“O levantamento (da Emater) aponta para prejuízos significativos, especialmente para alguns municípios e para agricultores de áreas mais baixas e próximas aos rios, que saíram do leito nesse período”, disse o diretor-técnico da instituição, Lino Moura, em nota.

Foram levantados dados de 52 cidades mais atingidas — destes municípios, 16 decretaram situação de emergência, disse a Emater. A situação foi considerada grave ao ponto de a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, marcar viagem nesta quinta-feira (24) ao Estado, para contatar integrantes do setor.

Com a seca no Paraná desde o final do ano passado, analistas chegaram a apontar a possibilidade de o Rio Grande do Sul superar o outro Estado sulista como segundo produtor nacional. Nas lavouras de soja naquelas mesmas regiões gaúchas, que totalizam pouco mais de 1 milhão de hectares cultivados, a Emater estimou prejuízos em 275 mil hectares, atingindo 1.950 produtores e ocasionando perdas de 339 mil toneladas, ou 435 milhões de reais somente nos 52 municípios.

“Municípios de outras regiões também terão perdas por falta de luminosidade e excesso de água no solo, mas ainda é cedo para uma avaliação mais consistente. O controle de pragas e doenças também foi prejudicado em alguns locais pelas chuvas e excesso de umidade no solo”, disse o órgão de assistência técnica.

 

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