Segunda-feira, 24 de agosto de 2026

25 de agosto Dia do Soldado, Dia de Caxias

Hoje, 25 de agosto em 1803, nascia em uma família tradicionalmente ligada às armas, Luis Alves de Lima e Silva. Ingressou muito cedo na vida militar. Ainda adolescente participou da repressão às Revolta da Cabanagem, na então província do Grão Pará (hoje estado do Pará), da Balaiada, no Maranhão, e na Guerra dos Farrapos.

Por seu desempenho na Balaiada, foi elevado a Barão pelo Imperador tendo escolhido para nome de seu título “Caxias”, nome da 2ª maior cidade do Maranhão a época, por ele recapturada aos rebeldes na Balaiada. Foi Presidente e Comandante das Armas da Provincia São Pedro do Rio Grande do Sul de novembro de1842 a março de1846.

Além de obter a pacificação com os Farroupilhas deixou marcas até hoje evidentes, mas pouco conhecidas pelos porto-alegrenses: a numeração das mordias nas ruas de Porto Alegre, o Cemitério da Santa Casa na montanha da Azenha e a construção Quartel-General e sede administrativa do comando militar da província, hoje o Museu Militar do CMS.

Em todas as campanhas mencionadas, demonstrou qualidades que se tornariam sua marca: prudência estratégica, capacidade de negociação, disciplina rígida e, sobretudo, habilidade de construir coesão entre tropas heterogêneas. Destas campanhas todas, renderam-lhe o título de “O Pacificador”, hoje uma das mais altas honrarias concedidas pelo EB.

Esses atributos explicam sua ascensão contínua. Caxias não era apenas um comandante eficiente; era um líder capaz de compreender o contexto político e social das revoltas, evitando excessos e buscando soluções duradouras. Sua postura equilibrada agradava à elite conservadora, que via nele um militar confiável, capaz de manter a ordem sem romper com a legalidade.

Durante o Império, o Brasil vivia intensas disputas entre conservadores e liberais. Caxias, alinhado ao grupo conservador, carregava consigo não apenas a responsabilidade militar, mas também o peso de representar uma corrente política que defendia estabilidade, centralização e manutenção da ordem. Isso o colocava sob constante escrutínio: qualquer erro poderia ser interpretado como fragilidade da própria estrutura imperial.

Mesmo assim, Caxias soube navegar nesse ambiente complexo. Reconhecia que a política influenciava diretamente a guerra e, por isso, buscava agir com moderação, evitando que disputas partidárias contaminassem o comando das tropas. Sua habilidade de reconhecer equívocos, assumir responsabilidades e corrigir rumos reforçava sua imagem de líder confiável.

Seu maior desafio veio com a Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870), o mais longo e sangrento conflito da história sul-americana. Ao assumir o comando das forças brasileiras, Caxias encontrou um cenário preocupante: tropas mal preparadas, oficiais inexperientes e uma estrutura logística deficiente. Além disso, desconfiava profundamente dos chefes militares aliados — especialmente dos argentinos — temendo que divergências políticas e rivalidades regionais prejudicassem a condução da guerra.

Sua perspicácia foi decisiva. Caxias percebeu que, antes de avançar contra o Paraguai, era necessário reorganizar o Exército Brasileiro. Implementou treinamento rigoroso, reorganizou cadeias de comando, reforçou a disciplina e buscou formar líderes capazes de conduzir batalhas complexas. Mais do que isso: trabalhou para criar coesão, transformando um conjunto disperso de unidades em uma força militar eficiente e moralmente fortalecida.

Essa capacidade de unir, motivar e disciplinar foi talvez sua maior contribuição. Caxias sabia que soldados lutam melhor quando confiam em seus comandantes, e por isso mantinha postura firme, mas justa. Reconhecia erros, ajustava estratégias e jamais hesitava em assumir responsabilidades — qualidades raras em comandantes de sua época.

Sob sua liderança, o Exército Brasileiro passou de uma força desorganizada a um corpo militar capaz de conduzir operações complexas, culminando na ultrapassagem de Humaitá e na marcha final rumo a Assunção. Apesar de ter uma posição diferente que o Imperador para a conclusão da guerra, acatou a posição daquele para o desfecho da guerra.

A escolha de Caxias como Patrono do Exército não se deve apenas às vitórias militares. Ela reflete um conjunto de valores que ele encarnou ao longo de toda a vida e aos quais exaltamos na data de hoje:
⦁ Coesão e disciplina: transformou tropas dispersas em forças organizadas e eficientes.
⦁ Liderança ética: reconhecia equívocos, assumia responsabilidades e buscava soluções.
⦁ Visão estratégica: compreendia que guerras não se vencem apenas no campo de batalha, mas também na política, na logística e na moral das tropas.
⦁ Moderação e equilíbrio: evitava excessos, buscava conciliação e mantinha a legalidade mesmo em tempos de crise.
⦁ Serviço ao Estado: sua carreira foi marcada pela defesa da unidade nacional e da estabilidade institucional.

Caxias tornou-se símbolo do ideal de um soldado brasileiro: disciplinado, leal, estrategista e comprometido com o país acima de interesses pessoais ou partidários. Sua vida representa a fusão entre competência militar e responsabilidade política, atributos que moldaram o Exército Brasileiro e continuam a inspirar gerações de militares.

*Júlio Cesar Hilzendeger
Presidente da AOR/2 – RS
Oficial da Reserva do EB, Consultor

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