Domingo, 05 de julho de 2026

65% dos brasileiros dizem que depender menos do governo melhora a vida

A maioria dos brasileiros passou a defender uma menor participação do Estado tanto na prestação de serviços públicos quanto na vida cotidiana, segundo dois recortes da pesquisa Datafolha divulgados no sábado (4). Conforme o levantamento, 65% dos brasileiros concordam mais com a frase “quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida” – o maior valor da série histórica da matriz ideológica do Datafolha.

Em sentido oposto, 31% dizem acreditar que a vida melhora “quanto mais benefícios do governo eu receber”. Outros 4% não souberam responder.

De acordo com o instituto, esse é o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2013. Naquele ano, os brasileiros se dividiam igualmente entre as duas visões, com 47% para cada lado. Desde então, a percepção favorável a uma menor dependência do Estado cresceu de forma gradual, atingindo agora o maior patamar da série.

Entre os homens, 71% afirmam que depender menos do governo melhora a vida, percentual que cai para 59% entre as mulheres. A diferença também aparece entre os grupos religiosos: 74% dos evangélicos defendem menor dependência do Estado, ante 61% dos católicos.

A pesquisa também identificou forte influência da preferência política sobre as respostas. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevalece a avaliação de que o recebimento de benefícios do governo melhora a vida e de que vale a pena pagar mais impostos para garantir serviços públicos. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, predominam tanto a defesa de uma carga tributária menor quanto a percepção de que viver com menor dependência do Estado proporciona uma vida melhor.

Impostos

Outro levantamento mostra que 50% dos entrevistados preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de saúde e educação, enquanto 44% afirmam ser melhor arcar com uma carga tributária maior para ter acesso gratuito a esses serviços oferecidos pelo poder público. Outros 6% não souberam responder.

Os números indicam uma mudança em relação ao último levantamento sobre o tema, realizado em 2022. Na ocasião, havia empate técnico entre as duas posições: 46% preferiam pagar menos impostos e contratar serviços privados, enquanto 48% defendiam uma tributação maior para garantir saúde e educação públicas. Segundo o instituto, é a primeira vez que a preferência pela redução da carga tributária supera de forma numericamente mais ampla a defesa de um Estado mais presente na oferta desses serviços.

O levantamento também mostra diferenças relevantes entre os perfis dos entrevistados neste tema. Entre os homens, 56% defendem pagar menos impostos, contra 39% que preferem uma tributação maior em troca dos serviços públicos. Entre as mulheres, o cenário é mais equilibrado: 44% optam pela redução dos impostos, enquanto 48% defendem manter uma carga tributária mais elevada para financiar saúde e educação.

Entre os evangélicos, 56% preferem pagar menos impostos, enquanto 39% optam pela manutenção de uma carga tributária maior. Já entre os católicos, há empate: 47% defendem cada uma das posições. (As informações são da Folha de S. Paulo e O Globo)

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