Terça-feira, 21 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de abril de 2026
A percepção sobre o próprio corpo costuma estar associada ao ganho de peso. Sinais como roupas apertadas, mudanças no rosto e o aumento na balança tornam a gordura visível e evidente. O que passa despercebido com frequência, no entanto, é o processo inverso: a perda de massa muscular. Especialistas apontam que esse fenômeno silencioso pode representar um dos principais equívocos na avaliação da saúde ao longo dos anos.
A partir dos 40 anos, o organismo inicia uma redução gradual, contínua e pouco perceptível de músculos. Esse processo não provoca dor nem alterações imediatas aparentes e, muitas vezes, não é refletido no peso corporal. Isso ocorre porque a diminuição da massa muscular pode ser compensada pelo aumento de gordura. Assim, mesmo com números estáveis na balança, o corpo já apresenta perda de força, resistência e eficiência funcional.
Essa condição é conhecida como sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa muscular associada ao envelhecimento. Em média, estima-se uma redução anual entre 1% e 2% a partir da meia-idade. Embora pareça pequena, a queda acumulada ao longo das décadas pode impactar diretamente a autonomia, dificultando atividades cotidianas como levantar, subir escadas, carregar objetos ou manter o equilíbrio.
Por muito tempo, a ideia de saúde esteve ligada apenas ao peso corporal, com a noção de que emagrecer seria sempre positivo. No entanto, especialistas ressaltam que o mais importante é a composição desse peso. A perda de alguns quilos pode representar melhora ou, ao contrário, redução significativa da reserva física, especialmente quando envolve massa muscular.
Estudos indicam que indivíduos com maior quantidade de músculo tendem a envelhecer com mais qualidade e independência. Em contrapartida, o excesso de gordura corporal está associado a maiores riscos de doenças. Nesse contexto, preservar a musculatura torna-se tão importante quanto evitar o ganho de peso. Em alguns casos, a perda de músculo pode ser mais prejudicial do que o aumento moderado de gordura.
Outro ponto de atenção é o emagrecimento sem a prática de exercícios de força. Nesses casos, parte do peso eliminado pode vir da massa muscular. Embora a balança indique redução, o organismo perde capacidade de resposta a situações como infecções, cirurgias ou quedas, o que compromete a saúde geral.
Além da função estética, o músculo desempenha papel essencial no metabolismo, na regulação da inflamação e na proteção do organismo. Sua redução impacta não apenas a força física, mas também a capacidade de envelhecer com segurança.
Entre as mulheres, a atenção deve ser redobrada. A menopausa acelera a perda muscular devido à queda do estrogênio, tornando o organismo menos responsivo ao exercício e à ingestão de proteínas. A sensação de fraqueza, menor rendimento nos treinos e recuperação mais lenta são sinais comuns dessa fase.
Apesar do cenário, a sarcopenia pode ser prevenida e até revertida. A recomendação envolve a prática regular de exercícios de força e uma alimentação adequada, com ingestão suficiente de proteínas. Mais do que uma questão estética, a manutenção da massa muscular é apontada como fator determinante para a autonomia, a qualidade de vida e a saúde ao longo do envelhecimento.
(Com O Globo)