Sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

A Frente é ampla, porém é petista

Eleito com uma ampla aliança de partidos de centro e de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) montou uma equipe de transição para seu governo com integrantes de 16 legendas diferentes.

Dos 290 nomes anunciados, foram identificados que ao menos 130 têm filiação partidária. A prevalência é de petistas, que representam mais da metade — são 66 ao todo. Além da participação de siglas que fizeram parte da coligação de Lula na campanha eleitoral, o time da transição incorporou indicados por partidos que devem fazer parte da base aliada do novo governo, como MDB e PSD, cada um com pelo menos sete integrantes escalados para trabalhar na equipe.

Ainda que Lula diga que participar desse processo não significa assumir cargos no futuro governo, a ocupação das cadeiras na transição dá pistas sobre a composição de forças e a preferência de cada uma das siglas para eventual atuação na Esplanada dos Ministérios.

O vice-presidente eleito e coordenador-geral da equipe, Geraldo Alckmin, afirmou que o futuro governo deverá ter um número de ministérios semelhante ao de núcleos temáticos em funcionamento durante a transição: 31. Atualmente, a gestão de Jair Bolsonaro mantém 23 pastas no Executivo federal.

O PSB, partido de Alckmin, por exemplo, é o segundo com a maior participação no grupo da transição, com 12 nomes. A sigla ganhou assentos no núcleo temático de Ciência, Tecnologia e Inovação, entre os quais o vice-presidente da Fundação João Mangabeira (FJM), Alexandre Navarro. A legenda também possui representantes no de Turismo e no de Cidades.

No grupo que vai discutir políticas públicas voltadas aos indígenas, que devem ser incorporadas ao futuro Ministério dos Povos Originários, o PSOL é quem tem mais representantes, com dois nomes: as deputadas eleitas Sônia Guajajara (SP) e Célia Xakriabá (MG). A legenda é a terceira com a maior quantidade de filiados na transição, com 9.

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, afirmou estar satisfeito com a participação do partido na equipe, mas que ainda deve sugerir mais uma “dezena” de nomes para a transição. O PT, por sua vez, é maioria nos núcleos de Educação e Saúde, que reúnem cinco ex-ministros de gestões petistas, mas também coordena as áreas de Economia, Relações Exteriores e Cidades. Com representação em pelo menos 29 dos 31 grupos da transição, porém, a avaliação interna é de que foi possível equilibrar a pressão dos demais partidos.

Cota pessoal

Mesmo filiados a legendas, alguns nomes são considerados como “cota pessoal” de Lula. É o caso do ex-governador do Maranhão e senador eleito, Flávio Dino (PSB), um dos poucos que já ouviram do próprio presidente que terá espaço na Esplanada. Ele integra o grupo de Justiça e Segurança Pública e é hoje o favorito para assumir a pasta a partir de janeiro.

Outro exemplo é a participação da senadora Simone Tebet (MDB-MS), coordenadora do grupo de assistência social. O partido, que durante a campanha optou por liberar seus filiados, também tem representantes nos núcleos de desenvolvimento regional, turismo, juventude e no de indústria, comércio e serviços, que deve voltar a ser um ministério na na gestão de Lula. A participação na campanha também foi considerada como decisiva para a inclusão do deputado André Janones (Avante) no grupo. Ele teve o nome anunciado para a equipe de comunicação. Além do parlamentar, a sigla conta com Guilherme Ítalo no conselho político.

A montagem da equipe de transição ainda tem servido para Lula fazer acenos em busca de novas alianças. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), por exemplo, tem um nome de sua confiança na transição: o senador Alexandre Silveira (PSD-MG), que faz parte do grupo de Infraestrutura.

Ex-ministros

A lista de novos integrantes do núcleo de relações exteriores tem dois ex-chanceleres: Celso Amorim, que ocupou o posto ao longo da gestão Lula, e o tucano Aloysio Nunes Ferreira, titular do Itamaraty durante o governo de Michel Temer. Nunes Ferreira foi um dos primeiros quadros do PSDB a indicar apoio a Lula. Esse grupo conta ainda com Cristovam Buarque (Cidadania), ministro da Educação sob comando do petista, entre 2003 e 2004.

Desde que foi eleito para o terceiro mandato, Lula tem reafirmado que o meio ambiente estará na sua prateleira de prioridades. Três ex-comandantes da pasta foram incorporados à equipe. São eles Marina Silva (Rede), uma das favoritas para voltar ao cargo, e Carlos Minc (PSB), ambos ex-ministros de Lula, e Izabella Texeira, que ocupou a cadeira por escolha de Dilma.

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