Segunda-feira, 17 de junho de 2024

A leptospirose já matou quatro gaúchos desde o início das enchentes, cenário de risco para a doença

A inclusão de mais dois registros ampliou para quatro o número de mortes por leptospirose em menos de um mês de enchentes no Rio Grande do Sul. Conforme boletim publicado nessa quinta-feira (23) pela Secretaria Estadual da Saúde (SES), as vítimas mais recentes são dois homens, de 50 e 56 anos, residentes em Porto Alegre e Cachoeirinha (Região Metropolitana).

Os casos fatais haviam sido registrados nos dias 18 e 19 de maio, mas só agora tiveram confirmação oficial por meio de testes de laboratório. Já os dois óbitos anteriores, também notificados nesta semana, tiveram como pacientes um idoso de 67 anos, residente em Travesseiro (Vale do Taquari) mas que faleceu em Lajeado, e um homem de 33 anos em Venâncio Aires (Vale do Rio Pardo).

A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda, causada por contato direto ou indireto com uma bactéria presente na urina de animais contaminados (sobretudo ratos). Água ou lama em áreas de enchente são um dos vetores de risco.

Somente neste mês já foram reportados ao menos 54 casos da doença entre os gaúchos. A doença já estava presente no Rio Grande do Sul antes da catástrofe climática das últimas semanas: dados oficiais apontam 129 casos e seis mortes entre janeiro e abril deste ano, ao passo que 2023 teve 477 testes positivos e 25 desfechos fatais.

Saiba mais

Conforme o Ministério da Saúde, a leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira. Sua penetração no corpo se dá por meio da pele com lesões ou por mucosas (nariz, boca etc.). Também infecta indivíduos sem ferimentos mas que permanecem imersos durante longos períodos em água contaminada.

O período de incubação (intervalo entre a transmissão e o início das manifestações dos primeiros sintomas) pode variar de um a 30 dias. Normalmente, esse processo se dá entre 7 e 14 dias.

Principais sintomas na fase inicial: febre igual ou maior que 38ºC, dor na região lombar ou panturrilha, dor de cabeça e conjuntivite. Em estágio avançado da doença, pode ocorrer tosse, hemorragias e insuficiência renal.

A doença apresenta elevada incidência em determinadas áreas além do risco de letalidade, que pode chegar a 40% nos casos mais graves. Sua ocorrência está relacionada às condições precárias de infraestrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados.

Inundações propiciam a disseminação e persistência da bactéria no ambiente, facilitando a ocorrência de surtos. Tal aspecto tem motivado alertas no Rio Grande do Sul, devido às enormes extensões de áreas alagadas nas quais têm circulado desabrigados, socorristas e outros voluntários. Também há risco durante os trabalhos de retirada da lama: recomenda-se o uso de luvas e botas impermeáveis.

O tratamento com o uso de antibióticos deve ser iniciado no momento da suspeita. Para os casos leves, o atendimento é ambulatorial, ao passo que as situações mais graves a hospitalização deve ser imediata, a fim de evitar complicações potencialmente letais.

“A automedicação não é indicada”, ressalta o Ministério. “Ao suspeitar da doença, deve ser procurado um serviço de saúde e relatado o contato com ambiente de risco. Na fase precoce são utilizados Doxiciclina ou Amoxicilina, já em casos avançados, são ministrados Penicilina, Ampicilina, Ceftriaxona ou Cefotaxima.

Nos locais que tenham sido invadidos por água de chuva, recomenda-se fazer a desinfecção do ambiente com água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%), na proporção de um copo de água sanitária para um balde de 20 litros de água.

Outras medidas de prevenção são: manter os alimentos guardados em recipientes bem fechados, manter a cozinha limpa sem restos de alimentos e retirar as sobras de alimentos ou ração de animais domésticos antes do anoitecer. Além disso, manter o terreno limpo e evitar entulhos e acúmulo de objetos nos quintais são medidas que ajudam a evitar a presença de roedores. A luz solar também ajuda a matar a bactéria.

(Marcello Campos)

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