Domingo, 26 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de abril de 2026
Fato de destaque no noticiário dos últimos dia, a reação do governo Lula à expulsão do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano atingiu dois funcionários do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos que atuavam no Brasil.
Um deles é o adido civil Michael William Myersm, que atuava na área de segurança e havia sido credenciado por meio da Embaixada americana em Brasília, em setembro de 2024. Além disso, a PF barrou temporariamente um segundo agente policial, cuja identidade não foi revelada.
Somadas, as medidas significariam uma escalada diplomática na crise e poderiam ser vistas em Washington como uma retaliação além da “reciprocidade” pregada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por isso, geraram apreensão no Itamaraty.
O Ministério das Relações Exteriores defendeu que o governo Lula deveria responder à decisão americana com recriprocidade “na forma e no conteúdo”. Com dois punidos, porém, o lado brasileiro agravaria o caso.
Com a expulsão oficializada, a Polícia Federal, então, decidiu recuar e restituir as credenciais de um agente policial americano, antes suspensas. A decisão da PF era administrativa e, portanto, passível de revisão, como ocorreu.
“São duas coisas. Eu cortei temporariamente o acesso de um funcionário dos Estados Unidos à PF, até o Itamaraty definir qual medida adotaria”, disse o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. “A segunda situação foi a determinação que Michael saia do Brasil, o que ocorreu hoje.”
Na prática, a suspensão de credenciais significava a barrar o acesso dele à sede da PF e sistemas da corporação, algo que ocorreu com Marcelo Ivo em Miami, onde desempenhava a função de oficial de ligação junto ao ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos.
O governo de Donald Trump determinou que ele fosse expulso do país, embora estivesse prestes a ser substituído pela delegada Tatiana Alves Torres, nomeada em março.
Lotado em Miami, na Flórida, Marcelo Ivo foi acusado pelo Departamento de Estado de tentar “manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.
O comunicado do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, publicado no X e republicado pela Embaixada dos Estados Unidos, falava, naquela data: “Pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe nosso país”.
Marcelo Ivo, que havia sido comunicado apenas verbalmente pelos americanos, atuava em cooperação policial e forneceu informações ao ICE sobre o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), também delegado de carreira da PF e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Jair Bolsonaro.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão na trama golpista, escapou para a Flórida com passaporte diplomático – que foi cancelado posteriormente – e era considerado foragido da Justiça brasileira. Ramagem foi preso por causa do seu status migratório. Ele relatou, ao ser solto depois de dois dias detido, que entrou no país com visto válido e solicitou asilo político.
O Departamento de Estado comunicou publicamente a expulsão por meio de um tuíte na segunda-feira, dia 20, enquanto as principais autoridades do governo Lula, inclusive o presidente, estavam em viagem na Europa.
Politização do caso
O tom e o teor da publicação, além da celebração de bolsonaristas radicados nos Estados Unidos, levaram integrantes do governo Lula a uma leitura de que o assunto fora politizado, após apelos de oposicionistas junto a uma ala do Departamento de Estado hostil a Lula.
A reação brasileira começou a ser decidida na terça-feira (21). Na Alemanha, o presidente Lula, o chanceler Mauro Vieira e o delegado Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, discutiram o caso e deram entrevistas manifestando surpresa com a notícia, além de citar a intenção de reagir com “reciprocidade”.
A suspensão das credenciais de um agente americano, cuja identidade não foi revelada, ocorreu primeiro, segundo integrantes da PF. Ele continua no País, no entanto. (com informações de “O Estado de São Paulo”)