Domingo, 26 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de abril de 2026
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão domiciliar de Marília Alencar, ex-delegada da Polícia Federal (PF) e condenada por tentativa de golpe de Estado. Diretora de Inteligência do Ministério da Justiça durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), ela foi réu no chamado “Núcleo 2” do processo sobre o plano que visava impedir Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de retornar ao Palácio do Planalto.
Em dezembro de 2025, Marília foi condenada pela Primeira Turma da Corte máxima do País a oito anos e seis meses de prisão, por organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A sentença incluiu a perda do cargo na corporação.
No posto de diretora do Ministério da Justiça, ela solicitou um relatório de inteligência para mapear regiões onde Lula havia vencido Bolsonaro no primeiro turno de votação. O objetivo era fazer com que blitze da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno dificultassem o deslocamento de eleitores do petista.
Marília já estava em prisão domiciliar, mas tratava-se de uma medida preventiva: em dezembro, Alexandre de Moraes decretou a prisão domiciliar de todo o grupo condenado do “Núcleo 2”, depois de o ex-diretor-geral da PRF Silvinei Vasques ser preso no Paraguai durante tentativa de fuga.
Com a nova decisão, o ministro do Supremo autorizou a ex-delegada da PF a continuar cumprindo sua pena em casa, de forma definitiva. A determinação se deu após não caberem mais recursos da defesa junto à Corte. Também pesou o fato de a ré ter um filho pequeno.
Trata-se de um alívio para Marília Alencar: se não tivesse recebido a autorização, seu destino em um futuro muito próximo provavelmente seria a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como “Colmeia”.
Em 2025, o STF julgou os envolvidos na trama golpista, que pretendiam dar um golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder depois das eleições de 2022. Foram punidos pelo plano militares de alta patente, ex-integrantes do governo Bolsonaro e até o ex-presidente, que foi condenado a 27 anos de prisão.
Condenações e absolvições
Trata-de do último núcleo de acusados pela trama golpista a ser julgado pelo STF. Foram cinco condenados, que se somam aos outros 24 já responsabilizados. As penas definidas pela Corte variam de um ano e 11 meses a 27 anos e três meses de prisão – esta última aplicada ao próprio Jair Bolsonaro, com status de líder da organização criminosa.
Dentre todos os réus, somente dois foram absolvidos. São eles o general Estevam Cals Theophilo, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército e o delegado Fernando Sousa de Oliveira, ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça. (com informações da rede CNN)