Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Agentes da Polícia Penal são denunciados à Justiça gaúcha por envolvimento em organização criminosa

Nessa quinta-feira (15), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça um trio de agentes da Polícia Penal e outras 14 pessoas. As acusações abrangem tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, favorecimento qualificado, falsidade ideológica, porte ilegal de arma-de-fogo de uso restrito e organização criminosa.

O grupo foi alvo da operação “Madrinha”, deflagrada em dezembro passado. De acordo com a investigação, eles participavam de esquema voltado a facilitar a entrada de drogas, telefones celulares e outros itens ilícitos em estabelecimentos prisionais gaúchos. Também viabilizavam a circulação de pessoas não autorizadas no interior das cadeias.

Assinada pelos promotores Diego Pessi e Manoel Figueiredo, a denúncia não se resume a pedidos de prisão dos envolvidos. Também solicita, no caso dos agentes da Polícia Penal, seu afastamento das funções e a perda dos cargos.

“Tudo ocorria com a participação direta de integrantes da organização criminosa e colaboração de servidores”, sublinha o processo. “Os policiais atuavam na condição de garantir vantagens ao grupo, inclusive mediante inserção de dados falsos no controle de monitoramento penitenciário.”

A ofensiva do Gaeco teve como alvos instituições carcerárias dos municípios de São Luiz Gonzaga, Ijuí e Santiago. Na ocasião foram presos dois policiais penais, um detento e uma ex-apenada, bem como outras detenções em flagrante. Um total de 17 ordens de busca levaram à apreensão de armas, drogas, dinheiro, celulares e veículos.

Para isso foram mobilizados quase 30 agentes do Gaeco e 32 policiais da Brigada Militar (BM), além de 73 integrantes do Grupo de Ações Especiais (Gaes) e da Corregedoria da Polícia Penal. As informações constam no site mprs.mp.br.

Crime na orla do Guaíba

Em júri popular realizado nesta semana, dois homens acusados pelo MPRS foram condenados por duplo homicídio triplamente qualificado, lesão corporal, tráfico de drogas e porte ilegal de armade-fogo. O caso diz respeito a um incidente ocorrido na noite de 10 de junho de 2023 na pista de skate da orla do Guaíba em Porto Alegre. A sentença para cada réu é de 35 anos e 11 meses de prisão, mais pagamento de multa.

As vítimas são dois jovens, de 20 e 21 anos, baleados após discussão motivada por provocações entre grupos. Um deles estava desarmado e outro portava um revólver, que não chegou a utilizar.

O ataque também deixou feridas outras seis pessoas, além de gerar pânico entre dezenas de jovens no local, tudo registrado por imagens de câmeras de segurança. Conforme o promotor Francisco Saldanha Lauenstein, que atuou na sessão, as mortes tiveram motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de gerar perigo comum, já que os disparos foram efeturados em área pública repleta de pessoas.

Na denúncia do MPRS consta que os acusados agiram em conjunto com um adolescente (posteriormente falecido) e fugiram em uma caminhonete conduzida por indivíduo não envolvido no incidente e que transportou sob ameaça armada os atiradores. Estes foram presos em flagrante na Vila Cruzeiro (Zona Sul) e tiveram apreendidas duas pistolas, munição, drogas e dinheiro.

(Marcello Campos)

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