Terça-feira, 28 de abril de 2026

Caso Master: governador Eduardo Leite fala em “aparente relação promíscua”

Fatos recentes revelam relação aparentemente promíscua entre “altas autoridades” e personagens envolvidos com corrupção, e isso merece atuação rigorosa, apurando-se responsabilidades por eventual “advocacia empresarial exercida dentro da Suprema Corte”. É o que afirma o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), em referência à suposta ligação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pré-candidato à Presidência da República, Leite defendeu que “não é só sobre apontar o dedo para esse ou para aquele, é preciso pensar como é que a gente institucionalmente melhora”. As declarações foram dadas neste sábado (7), no Festival Fronteiras, que acontece pela primeira vez em São Paulo.

Leite defendeu não só um código de conduta para a corte —algo por ora rechaçado por ministros do STF— como idade mínima de 60 anos para assumir uma vaga no Supremo. “Seria uma coroação de uma longa carreira jurídica e não uma via para, a partir da posse, obter favorecimentos.”

No mesmo evento, o economista Persio Arida disse que o escândalo do Master envolve ao menos três dimensões: a criminal, aspectos institucionais e um elemento que chamou de “político/criminal”. “É um caso sem precedentes, tudo é inédito.”

Arida faz uma leitura positiva pelo fato de o país estar enfrentando o problema. “O Brasil chegou à beira do precipício e não pulou”, disse, ao reforçar no diagnóstico o peso da opinião pública, dos editoriais dos jornais e de “políticos com sensibilidade”.

Em referência às pesquisas eleitorais, Leite disse queelas devem ser vistas como o humor do eleitor e não como perspectiva de voto. “Há espaço para algo novo. O problema do Lula não é a idade dele, mas o tempo da política”, afirmou.

O governador fez acenos à esquerda. “Se a política não encaminhar solução para o que estamos vendo agora de corrupção, aumenta a descrença e a descrença faz com que as pessoas sejam muito mais sensíveis àqueles que vão defender rupturas. E aí vamos ter um caminho perigoso para o país”, disse.

Para Leite, sem um olhar para as enormes desigualdades sociais e de renda, “vem uma turma que começa a dizer: ‘Olha, sua vida era melhor antes dessa coisa de mulheres ocuparem espaços, esse feminismo, esse gayzismo, cotas e espaços para negros”.

Segundo ele, algumas pessoas cedem a esse tipo de discurso conservador e problemas reais não são enfrentados. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

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