Terça-feira, 25 de junho de 2024

Agronegócio busca alternativas ao crédito público, com limitações do Plano Safra

Apesar do aumento de 27% no total dos recursos oferecidos pelo Governo Federal para o Plano Safra 2023/2024, totalizando R$ 364,2 bilhões, a demanda atual por crédito do setor do agronegócio, segundo estimativas do setor, é quase 120% maior. O que obriga principalmente os pequenos e médio produtores a buscarem alternativas para viabilizar suas produções. Um dos espaços que se abrem, nesse contexto, é o de modelos que oferecem pacotes completos de soluções para os proprietários rurais.

“Como o governo supre 45% das necessidades de crédito, os produtores, que antes precisavam usar 20% das reservas em fluxos de caixa, passaram a utilizar 70%. O que compacta a rentabilidade do negócio”, disse Marisa Marques, CFO (Chief Financial Officer) da Corteva.

“Os produtores não querem mais insumos apenas, mas soluções financeiras completas. Por isso, a indústria está buscando maior sofisticação por meio das fintechs”, disse a executiva da Corteva, empresa essencialmente de agronegócio que surgiu a partir do legado de outras três companhias: Dow, DuPont e Pioneer. De forma direta, disse Marisa, a indústria em geral financia por volta de 30% das necessidades do mercado. Um dos meios mais utilizados, nesse caso, é o pagamento antecipado pela produção de grãos, que serão entregues no pós-colheita, transação que não envolve dinheiro.

Números divulgados durante o evento por Azael Pizzolato Neto, presidente da Aprosoja-SP (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de São Paulo), mostram que, no período 2022/2023, a soma do uso de recursos próprios dos produtores com outra fontes do setor industrial chegam a 81%. O restante, 19%, foram obtidos por meio de instituições financeiras, seja com recursos privados ou públicos.

Em termos gerais, segundo Pizzolato Neto, existe um esgotamento do modelo atual de crédito rural via Plano Safra. Processo agravado pela crise orçamentária e pela alta taxa de juros. O alto custo administrativo e tributário para os bancos, ainda segundo o executivo do setor, é outra prova que mostra a ineficiência do sistema.

A Aprosoja, como apresentou Pizzolato, tem uma série de propostas para aumentar a irrigação de recursos para o agronegócio nacional. “Ela passa pela redução dos juros, do custo dos bancos e do fortalecimento de bancos cooperativos”, disse o dirigente da Aprosoja. Dentro da cadeia agrícola, segundo vários especialistas do setor, um dos grandes gargalos existentes hoje, que deveria ser priorizado, é a falta de infraestrutura para a armazenagem dos grãos. O déficit atual está por volta de 100 milhões de toneladas.

Diante desses desafios sistêmicos, segundo Marcelo Gruber Velasques, gerente de solução para o Agro do Banco do Brasil, é que as instituições financeiras precisam atuar. “Um dos objetivos principais deve ser o de trazer os produtores para métodos melhores, como a agricultura de baixo carbono. A construir adaptações å mudanças climáticas. É levar o agro para além do crédito”, disse o gerente do BB.

Raciocínio que está em sintonia com as estratégias da Embrapa, como explicou Silvia Massruhá, presidente da instituição. Segundo a gestora, funcionária de carreira da casa, sustentabilidade, transição nutricional, energia, inclusão socioprodutiva rural e digitalização no campo são temas que fazem parte das prioridades da Embrapa atualmente. “Temos um grupo voltado para o mercado de carbono, também”, disse Silvia, que afirmou se sentir orgulhosa quando no exterior chamam a instituição que ela preside como a Nasa brasileira.

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