Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de abril de 2026
Preso pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem entrou no país com apoio de aliados e uso de documentos falsos, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão no processo da trama golpista, Ramagem estava desde setembro de 2025 em Miami, onde vivia em um condomínio de luxo.
De acordo com a PF, a fuga e a permanência do ex-parlamentar nos EUA tiveram participação central da família do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas. Ele, a mulher Priscila de Mello e o filho Celso Rodrigo de Mello são apontados como responsáveis por viabilizar moradia, suporte financeiro e obtenção de documentos falsos para Ramagem. O objetivo seria “ludibriar as autoridades americanas”, inclusive para a emissão de carteira de motorista.
Os detalhes constam em decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, que, em dezembro de 2025, citou o caso ao negar prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No documento, a PF afirma que a atuação da família do garimpeiro evidencia “o claro intuito de financiar a organização criminosa” investigada por tentativa de golpe de Estado.
A investigação também traçou a rota de saída do País. Ramagem deixou o Brasil por Roraima, cruzando a fronteira pelo município de Bonfim em direção à Guiana, onde Cataratas mantém negócios. De lá, seguiu para os Estados Unidos. A PF aponta que o esquema contou com estrutura organizada para garantir a fuga e a permanência clandestina no exterior.
Em dezembro, o filho de Cataratas foi preso em Manaus pela Polícia Federal por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pelo caso. Semanas antes, o empresário já havia se manifestado nas redes após começar a circular nas redes a informação de que ele teria ajudado Ramagem a deixar o Brasil.
“(Ramagem) tem vários amigos em Roraima, e eu também sou amigo dele, certo? Ele é deputado federal, pessoal. Quando ele esteve em Roraima pela última vez não existia nenhuma condenação contra ele. Então, essa narrativa de fuga, isso é uma narrativa falaciosa, justamente para manter uma perseguição”, diz Cataratas no vídeo, publicado no final de novembro, sem confirmar se estava ou não sendo investigado.
No vídeo, o empresário diz que tomou conhecimento da condenação de Ramagem pelas redes sociais e apenas quando ele já estava fora do País. No dia 31 de março, Cataratas publicou em suas redes sociais uma imagem ao lado do então parlamentar, que teve o mandato cassado em dezembro.
Segundo Cataratas, Celso é cidadão americano e estava em deslocamento para os Estados Unidos para celebrar o próprio casamento, estando acompanhado da mulher e da filha.
O garimpeiro tem negócios na Guiana, país que esteve na rota de fuga de Ramagem rumo aos Estados Unidos, como revelou a colunista do jornal O Globo Malu Gaspar. A investigação da PF apurou que o deputado federal chegou ao país vizinho pelo município de Bonfim, que faz fronteira com a cidade de Lethem.
Atualmente, Rodrigo Cataratas é pré-candidato ao Senado pelo PRD. Em 2022, ele havia disputado por uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PL, tendo declarado guardar R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo. O seu patrimônio inclui ainda dez aeronaves e onze veículos, além de um total de R$ 33,6 milhões. Ele é um dos líderes do “Movimento Garimpo é Legal”.