Terça-feira, 14 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de julho de 2026
O Itamaraty acredita que os Estados Unidos devem taxar novamente produtos brasileiros, na contramão das declarações dadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que “não vai ter tarifaço”. Diplomatas apostam que haverá novas tarifas, e citam a entrevista dada à Fox Business pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, em 9 de julho, como uma sinalização importante da taxação. Eles ressaltam, entretanto, que o presidente americano, Donald Trump, é imprevisível, e não necessariamente vai seguir o que sinalizou Greer na entrevista.
Ele afirmou na última quarta-feira que, apesar das conversas com o governo brasileiro, ainda há “distância considerável” entre os dois países. Os resultados da investigação comercial serão divulgados até esta quarta-feira, 15.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, vem trabalhando para evitar a taxação ao Brasil e acompanha de perto o tema, que é o assunto prioritário na pauta do ministro dos últimos dias. A proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos é calcada no âmbito da investigação conduzida pela Seção 301, instrumento adotado pelo governo americano para investigar e, se for o caso, aplicar sanções comerciais a países acusados de práticas que podem ser prejudiciais aos interesses das empresas americanas.
O risco neste ano é que, diferentemente das tarifas impostas em 2025, a Seção 301 tem respaldo jurídico mais forte nos Estados Unidos. Punições baseadas nela têm menor chance de reversão judicial, sendo mais uma ofensiva da política comercial de Donald Trump sobre uma série de países.
No caso do Brasil, a investigação dos EUA menciona temas de supostas práticas comerciais desleais; proteção da propriedade intelectual; ferramentas de pagamento eletrônico, citando o Pix; deficiências no combate à corrupção e entraves para o mercado de etanol.
Atualmente, o Brasil é o 13º país com maiores tarifas impostas pelos EUA, segundo os cálculos do GTA. Com tarifa média efetiva de 11,73%, o país está atrás de China, Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália. Mas, se o tarifaço de 25% for confirmado pelo governo Trump, o Brasil saltaria para a segunda posição.
A China é o país que mais viu suas tarifas médias de importação subir no segundo mandato de Trump — um aumento de 27%, comparado às tarifas praticadas pelo governo Biden, disse Johannes Fritz, diretor do St. Gallen Endowment. Segundo os dados, caso as tarifas propostas pela USTR se concretizem, o Brasil seria o segundo país que mais sofreu aumento de tarifas no segundo mandato de Trump — um aumento médio previsto de 18%.