Sábado, 07 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de março de 2026
O Cavalo Crioulo, símbolo das tradições gaúchas e da cultura equestre sul-americana, vem se tornando palco de uma transformação silenciosa e poderosa: a presença cada vez maior de mulheres nas competições. O que antes era território quase exclusivo dos homens hoje revela uma nova realidade, marcada por talento, persistência e paixão feminina. Seja no Freio de Ouro, na Marcha ou na Doma, o amor pelo Cavalo Crioulo tem atraído competidoras de diferentes idades e regiões, que compartilham um mesmo sentimento: viver intensamente a tradição e a emoção da raça.
Manuela Wolf é um dos nomes que simbolizam essa mudança. Atual campeã da Marchita, percorreu 160 km em pouco mais de dez horas montando a égua Já Te Disse de Santa Adélia, superando mais de 60 conjuntos. Sua vitória não é apenas um feito esportivo, mas também um marco para a representatividade feminina. “Não há espaço para diferenças nas provas do Cavalo Crioulo”, afirma. Para ela, o que conta é a entrega ao cavalo e à tradição, não o gênero de quem monta.
A nova geração também vem mostrando que o futuro da raça será marcado por mulheres. Victória Rissi, de apenas 14 anos, tornou-se a mais jovem credenciada para o ciclo profissional do Freio de Ouro. Montando a égua ZR Macedônia, conquistou o quarto lugar na Credenciadora Aberta de Fêmeas em Caxias do Sul (RS). Desde os dois anos acostumada a andar a cavalo, Victória já coleciona títulos e inspira outras meninas a não desistirem de seus sonhos. Em 2022, venceu sua primeira Supercopa na categoria Infantil A; em 2024, brilhou nas provas de Vaquero/Working Cow Horse, garantindo dobradinha de primeiro e segundo lugar. “Minha família me acompanha e meu pai me ajuda nos treinos. Para as meninas que têm o mesmo sonho que eu, digo para nunca desistirem”, incentiva.
Helena Arruda também reforça esse movimento. Campeã do Freio Jovem em 2025, ela resume sua trajetória em uma palavra: persistência. “Era o meu sonho ganhar o Freio Jovem, foi muito bom para mim. Treine muito porque você pode conseguir”, aconselha. Sua conquista mostra que dedicação e disciplina podem transformar sonhos em realidade, mesmo em um ambiente competitivo e exigente.
Essas histórias revelam que o Cavalo Crioulo não é apenas uma raça de excelência, mas também um espaço de transformação social. As mulheres que hoje competem trazem consigo não apenas técnica e preparo, mas também sensibilidade e paixão. Elas desafiam estereótipos, ampliam horizontes e mostram que tradição e inovação podem caminhar juntas. O crescimento da participação feminina nas provas é reflexo de um movimento cultural mais amplo: o reconhecimento de que o campo e as tradições gaúchas pertencem a todos.
O futuro das competições será marcado por essa diversidade. Ao lado dos homens que historicamente construíram a trajetória da raça, as mulheres seguem escrevendo novas páginas de coragem, paixão e excelência. O Cavalo Crioulo, mais do que nunca, é o cavalo de todos — e de todas. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)