Terça-feira, 16 de julho de 2024

Antes de sofrer estupro coletivo na Índia, turista brasileira passou por 66 países em 5 anos em “volta ao mundo” de moto

O casal de turistas Fernanda e Vicente estava acampados no distrito de Dumka, na Índia, quando foi atacado por um grupo de pelo menos sete homens. A brasileira foi vítima de um estupro coletivo, e o marido agredido, na última sexta-feira (1º). As vítimas são dois conceituados influenciadores de viagem, que mostram no Instagram, dia após dia, uma excursão — que durou, até aqui, cinco anos e 66 países — em que buscam “dar a volta ao mundo” nas suas motos.

A mulher, nascida no Brasil mas naturalizada espanhola, é embaixadora de uma marca americana de roupas e acessórios para andar de moto. Fernanda, que compartilha nas redes sociais as aventuras ao lado do marido, o espanhol Vicente, relatou ter vivido um pesadelo em suas últimas postagens. Três agressores foram presos e os demais suspeitos, já identificados, seguem sendo procurados pela polícia local.

“Brasileira pelo mundo de moto”, diz a biografia de Fernanda no Instagram. Com 170 mil quilômetros percorridos, o último destino do casal, antes da Índia, havia sido Sri Lanka, onde visitaram de santuários de elefantes a palácios históricos.

Nos últimos cinco anos, eles percorreram grande parte da Ásia e também Reino Unido, Espanha, Holanda, Itália e Alemanha, entre dezenas de outros países. Ambos são embaixadores da KLIM, empresa americana conhecida por sua ampla linha de roupas e equipamentos para motocicletas.

“Comentários absurdos”

Na segunda-feira (4), Fernanda rebateu o que chamou de “comentários absurdos” que colocam a culpa no casal pela ação criminosa que sofreram “por terem ido à Índia”. Ela rebateu que isso poderia ocorrer com qualquer pessoa, em qualquer país do mundo.

“Nós acampamos em 66 países. Irã, Afeganistão, Paquistão… Vários países que são considerados ‘perigosos’ e nunca tivemos problemas. A única vez que fomos roubados foi na Espanha, em Barcelona”, escreveu Fernanda, que pediu justiça para si e outras vítimas de crimes semelhantes. “Não vamos parar de viver e nos esconder em casa, com medo, por causa disso”.

Crime na Índia

Ao lado de Vicente, Fernanda documenta as viagens que fazem pelo mundo de moto há cinco anos, para um público de mais de 140 mil seguidores no Instagram, no perfil dos dois. Em uma de suas últimas postagens, Fernanda mostra os machucados e diz: “Minha cara está assim, mas não é o que mais me dói. Pensava que íamos morrer. Graças a Deus estamos vivos”.

Após a agressão, com hematomas pelo rosto e corpo, o casal relatou em detalhes o que aconteceu durante a madrugada de terror que viveram, enquanto acampavam no distrito de Dumka. Eles estavam na estrada, a caminho do Nepal, quando decidiram parar para passar a noite.

“Aconteceu algo conosco que não desejaríamos a ninguém. Sete homens me estupraram, nos espancaram e nos roubaram”, disse ela, aos prantos. Ainda segundo Fernanda, os agressores não roubaram muitas coisas, “porque o que eles queriam era me estuprar”.

Em outra postagem, Vicente mostrou cortes que sofreu nos lábios e pontos em volta da boca. O espanhol relatou que também foi brutalmente atacado pelos agressores, que o atingiram repetidamente na cabeça, com um capacete e uma pedra.

De acordo com a polícia loca, Fernanda foi socorrida por volta das 23h e levada ao hospital. Pitamber Singh Kherwar, superintendente da polícia do distrito, disse ao The Times of India que a polícia abriu uma investigação e três criminosos foram presos. Os demais suspeitos estão sendo procurados.

Histórico 

O caso colocou o histórico assustador de violência sexual na Índia sob os holofotes. O país é considerado um dos piores em termos de violência sexual contra mulheres e teve quase 90 estupros denunciados por dia em 2022, de acordo com o escritório nacional de registros criminais.

No entanto, há uma subnotificação. Muitos ataques não são denunciados, seja por vergonha devido ao estigma, seja pela falta de confiança no trabalho das autoridades. As condenações raramente são emitidas e muitos casos acabam estagnados no saturado sistema judicial do país.

Em 2012, o caso de uma jovem que foi vítima de um estupro coletivo e depois assassinada ganhou as manchetes em todo o mundo. Jyoti Singh, uma estudante de psicoterapia de 23 anos, foi estuprada e abandonada, dada como morta, por cinco homens e um adolescente em um ônibus em Nova Délhi. Na época, o caso trouxe à tona os altos níveis de violência sexual na Índia, com semanas de protestos e uma mudança na legislação para punir o crime de estupro com a pena de morte.

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