Segunda-feira, 18 de maio de 2026

Antidepressivo faz engordar? Especialista responde

Começar um antidepressivo costuma vir acompanhado de dúvidas que vão além da saúde mental. Uma questão que aparece quase sempre é: afinal, o medicamento engorda?

A resposta existe, mas está longe de ser simples. Nem todo antidepressivo provoca ganho de peso, nem todo paciente reage da mesma forma. Em muitos casos, o que muda não é apenas o corpo, mas também a relação da pessoa com a comida, ansiedade e rotina.

Há quem perceba aumento do apetite depois de iniciar o tratamento. Outros voltam a comer normalmente após meses sem fome durante um quadro depressivo. Também existem pacientes que emagrecem ao tratar episódios de compulsão alimentar e ansiedade.

Para entender o que realmente acontece no organismo durante o uso dessas associações, conversamos com a psiquiatra Luana De Souza Gomez, formada pela USP e pós-graduada em Psiquiatria Geral pela Santa Casa de São Paulo.

Ganho de peso

Segundo a especialista, existe, sim, uma relação possível entre antidepressivos e aumento de peso, mas isso não acontece de forma igual para todas as pessoas.

“Alguns antidepressivos interferem em neurotransmissores ligados ao apetite e à saciedade. Em certos pacientes, isso se reflete em maior ingestão calórica. Em outros, o peso não muda”, explica. Ela reforça que a resposta é individual e depende tanto da medicação quanto do organismo e do contexto emocional do paciente.

Segundo a especialista, o ganho de peso associado ao antidepressivo normalmente não acontece imediatamente. “Quando ocorre, geralmente aparece após algumas semanas ou meses”, explica.

Por isso, o acompanhamento médico desde o início do tratamento é importante. “Pequenas mudanças detectadas cedo são mais fáceis de manejar. Esperar demais dificulta o ajuste”, alerta.

Segundo a médica, algumas estratégias ajudam bastante a reduzir esse impacto durante o tratamento. “Orientação alimentar simples, atenção ao padrão de compulsão e estímulo à atividade física ajudam muito”, afirma.

Em alguns casos, também pode ser necessário ajustar a dose ou trocar a medicação. “O pior caminho é ignorar o efeito colateral ou abandonar o tratamento sozinho”, alerta.

Efeitos diferentes

A psiquiatra afirma que algumas medicações têm associação maior com ganho de peso, enquanto outras tendem a ser neutras ou até favorecem emagrecimento em determinados casos.

“Esse efeito varia bastante conforme a classe e a molécula do antidepressivo”, afirma. Por isso, segundo ela, a escolha do tratamento vai além do controle dos sintomas emocionais. “Não é apenas tratar o humor, mas o conjunto do paciente. O histórico metabólico importa muito”, explica.

Estudo publicado ano passado por especialistas da Western University of Health Sciences, na Califórnia, apontam que o ganho de peso pode ser observado em 55 a 65% dos pacientes, notando que alguns antidepressivos tricíclicos e tetracíclicos, além de inibidores da monoamina oxidase, têm associação mais forte com o fenômeno, mas que o engordar, nestes casos, é um problema de múltiplos fatores.

Na prática clínica, segundo a médica, muitas vezes o ganho de peso está mais relacionado às mudanças no comportamento do que ao medicamento isoladamente.

“Ao melhorar da depressão, o paciente volta a sentir prazer em comer. Há também redução da ansiedade, que pode alterar padrões alimentares”, diz.

Ela explica ainda que, em muitos casos, o antidepressivo atua como parte de um cenário mais amplo, envolvendo sono, apetite, compulsão, sedentarismo e saúde emocional. “O medicamento é um fator, mas raramente atua sozinho”, afirma.

Perda de peso

Embora o medo do ganho de peso seja comum, alguns pacientes apresentam justamente o efeito contrário. “Quando a depressão cursa com compulsão alimentar ou com o ‘comer emocional’, tratar o transtorno reduz esses episódios”, explica.

Além disso, segundo a psiquiatra, pacientes que recuperam energia e disposição durante o tratamento tendem a retomar atividades físicas e hábitos de autocuidado. “Nesses casos, o peso tende a cair de forma gradual e sustentável”, afirma.

Luana reforça que o objetivo do tratamento psiquiátrico é encontrar equilíbrio entre saúde mental e qualidade de vida física. A meta nunca deve ser trocar saúde mental por prejuízo físico. Psiquiatria bem feita sempre busca equilíbrio, não extremos. (Com informações da GQ)

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