Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de setembro de 2026
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ampliou neste ano as opções de medicamentos injetáveis usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Com o fim da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, em março, novas versões chegaram ao mercado, além de medicamentos à base de liraglutida.
Ao todo, são 12 canetas aprovadas em 2026 no Brasil: dez de semaglutida e duas de liraglutida. A multiplicação das marcas, porém, não significa que os produtos sejam intercambiáveis ou que a escolha possa ser feita apenas pelo preço.
Segundo a endocrinologista Bruna Marinho, a decisão deve considerar o diagnóstico, a necessidade de perda de peso, outras doenças do paciente, os estudos disponíveis para cada produto e a possibilidade de manter o tratamento por longos períodos.
Como obesidade e diabetes são doenças crônicas, o uso dos medicamentos pode durar meses ou anos. Por isso, um produto com maior potencial de perda de peso, como o Mounjaro, pode não ser a opção mais adequada se o paciente não conseguir arcar com o custo continuamente.
Os efeitos colaterais também influenciam a escolha. Medicamentos dessa classe podem causar náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e alterações do hábito intestinal. A endocrinologista Alana Rocha afirma que comorbidades e tolerabilidade devem ser consideradas inclusive na troca de um tratamento por outro.
Semaglutida
A semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, imita a ação do GLP-1, hormônio envolvido no controle da glicose e da saciedade. A substância ajuda a controlar a glicemia, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade.
A exclusividade da Novo Nordisk terminou em 20 de março, abrindo espaço para outras farmacêuticas. Em maio, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, primeiro produto registrado após a queda da patente. Em julho, outros cinco foram aprovados: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema.
Em agosto, a agência aprovou ainda um genérico de semaglutida da EMS, o similar Semaclique, da Germed, um segundo genérico da Germed e o Yluméc, da EMS.
As 10 semaglutidas aprovadas em 2026: Ozivy, Semavy, Owozy, Zempneo, Seemasun, Orsema, dois genéricos de semaglutida, Semaclique e Yluméc.
O Ozempic custa entre R$ 975 e R$ 999, dependendo da apresentação, pelo programa Preço NovoDia. O Ozivy chegou às farmácias entre R$ 452 e R$ 498 por caneta. Como genéricos devem custar pelo menos 35% menos que o medicamento de referência, a estimativa, com base nos valores do Ozivy, fica entre R$ 293 e R$ 323.
Os demais produtos ainda precisam passar pela definição de preço da CMED antes de chegarem às farmácias.
Liraglutida
A liraglutida também ganhou duas versões genéricas da EMS neste ano. Os produtos têm como referência os medicamentos Olire, para obesidade, e Linux, para diabetes tipo 2, comercializados em canetas de 6 mg.
Olire e Linux são anunciados a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias on-line. Uma diferença em relação à semaglutida e à tirzepatida é a frequência de aplicação: a liraglutida costuma ser aplicada diariamente, enquanto as outras são administradas, em geral, uma vez por semana.
Segundo o endocrinologista Júlio Américo Batatinha, a liraglutida tem efeito intermediário na perda de peso. A semaglutida apresenta maior efeito e aplicação semanal, enquanto a tirzepatida tem atuação sobre dois hormônios, GLP-1 e GIP.
Tirzepatida e dulaglutida
A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, é atualmente a única opção aprovada pela Anvisa com essa substância, que continua protegida por patente no Brasil. Ela atua simultaneamente sobre GLP-1 e GIP.
Já a dulaglutida, presente no Trulicity, da Eli Lilly, é aprovada para diabetes tipo 2. Ainda não há genéricos ou similares no país. Segundo Batatinha, a substância apresenta menor potência para redução de peso em comparação com semaglutida e tirzepatida. (Com informações da Folha de S.Paulo)