Sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de agosto de 2026
A Polícia Civil gaúcha prendeu nessa quinta-feira (20) o marido da tia de Samylle Valentina Borba Ramiro, 4 anos, morta no último fim de semana, na Zona Norte de Porto Alegre. Em depoimento, ele alegou ter aplicado “palmadas” na criança, que residia com ele e a esposa há pelo menos dois meses. A versão não condiz com laudo necropsial prévio que apontou politraumatismo como causa do óbito.
No fim da noite de domingo (18), o homem levou a menina – já sem vida – a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Bom Jesus. A presença de manchas roxas pelo corpo motivou a equipe médica a seguir protocolo de acionamento a Brigada Militar (BM) nesse tipo de situação, mas o tio fugiu antes da chegada dos policiais.
A tia da garota relatou que, ao chegar em casa após o trabalho, já encontrou Samylle com lesões. Ela então questionou o companheiro sobre o fato e os dois tiveram uma discussão. Mais tarde, notou que a criança expelia pela boca algo parecido com espuma, como se estivesse sob convulsão. Foi quando o casal buscou atendimento médico.
A Polícia Civil também ouviu a mãe da garota, que mencionou dificuldades financeiras como justificativa para não criar ultimamente a menina e sua irmã, de 9 anos, após se separar do companheiro. A primogênita foi então morar com o pai, enquanto Samylle passou aos cuidados de uma amiga residente na mesma rua.
Por meio de um termo de responsabilidade emitido em julho, o Conselho Tutelar concedeu tutela provisória à tia, que estaria em tratativas para obter a guarda definitiva. A mãe da criança afirma que, ultimamente, vinha sendo impedida de visitar a filha.
Os avós maternos da vítima, por sua vez, informaram que a menina apresentava ferimentos quando esteve com a família no Dia dos Pais. Na ocasião, eles ouviram dos tios da criança a explicação de que os machucados se deviam a uma queda.
Prisão
A Polícia Civil trata o caso, até o momento, como homicídio doloso. O tio de Samylle tem 22 anos e era alvo de ordem judicial de prisão preventiva quando foi capturado pela BM, caminhando pela avenida Azenha na manhã dessa quinta-feira.
Em depoimento à 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o homem declarou ter aplicado somente palmadas nas nádegas da criança, em “caráter educativo”. Motivo: ela havia defecado nas calças.
Também garantiu ter sido a única vez em que tomou tal atitude e se disse arrependido. A versão será agora confrontada com o laudo pericial definitivo e possíveis informações contidas em um telefone celular apreendido na casa onde a vítima residia – a Justiça já autorizou a extração dos dados.
(Marcello Campos)