Quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Presidenciável Ronaldo Caiado evita declarar posição sobre fim da escala 6×1, mas diz que proposta no Congresso é medida eleitoreira

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, criticou a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, mas evitou declarar se é favorável ou contrário à medida. Durante evento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o ex-governador de Goiás classificou a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) como populista e eleitoreira.

“A pauta não é minha”, afirmou Caiado ao ser questionado sobre o tema. Segundo o presidenciável, a proposta ganhou força no Congresso em um contexto eleitoral e deveria ser analisada com cautela diante dos possíveis impactos para empresas e trabalhadores.

A PEC que trata do fim da escala 6×1 avançou no Senado após o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), determinar o andamento de propostas relacionadas ao tema. O texto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para o plenário.

A discussão prevê mudanças na jornada de trabalho atualmente adotada por milhões de brasileiros. Na escala 6×1, o trabalhador exerce atividades durante seis dias e tem um dia de descanso. A proposta em análise no Congresso busca ampliar o período de descanso semanal e reduzir a jornada.

O assunto ganhou espaço no debate político nacional ao longo dos últimos meses, especialmente nas redes sociais e entre partidos de esquerda. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também passou a defender a discussão da redução da jornada, enquanto setores empresariais demonstram preocupação com os efeitos sobre custos e organização da produção.

Caiado, que disputa a Presidência pelo PSD, também comentou outra proposta que avançou no Congresso: a PEC da Segurança Pública. Diferentemente da questão da escala 6×1, o candidato declarou apoio à proposta apresentada pelo governo federal para ampliar a participação da União na coordenação das políticas de segurança pública.

A diferença de posicionamento chamou atenção porque as duas propostas avançaram no Senado em um momento de intensificação das articulações políticas para as eleições de 2026. A PEC da Segurança estabelece novas atribuições para a União e prevê mudanças na integração entre as forças de segurança.

Ao falar sobre a jornada de trabalho, Caiado evitou assumir uma posição definitiva. O candidato afirmou que a discussão precisa considerar a realidade econômica do país e criticou a utilização do tema como instrumento de campanha eleitoral.

A proposta de acabar com a escala 6×1 é defendida por parlamentares que argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e aumentar o tempo disponível para descanso e convivência familiar. Os críticos, por outro lado, alertam para possíveis impactos sobre a produtividade, os custos das empresas e o mercado de trabalho.

A discussão deverá avançar no Congresso durante o segundo semestre, em meio ao calendário eleitoral. A análise da PEC pela CCJ do Senado poderá ocorrer antes das eleições, o que deve manter o tema entre os assuntos de maior repercussão no debate político.

Caiado, por enquanto, mantém distância de uma posição explícita sobre a proposta. O presidenciável concentra suas críticas no momento político em que a medida passou a avançar no Legislativo e classifica a iniciativa como uma tentativa de obter dividendos eleitorais.

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