Terça-feira, 18 de junho de 2024

Após a reunião do Copom na última quarta-feira, cresceu o número de instituições que esperam o início do ciclo de queda na Selic apenas a partir do quarto trimestre

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o Banco Central já poderia ter iniciado o processo de queda dos juros. Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano, o que desagradou ao governo.

“Acho que já poderíamos iniciar a recalibragem da taxa de juros”, disse o ministro, em entrevista à rádio CBN, ressaltando que respeita a institucionalidade do Banco Central (BC). Segundo ele, a expectativa de inflação para 2024 já está muito moderada, após os esforços da autoridade monetária, o que seria um indicativo de que a queda já poderia ter começado.

Mas, após a reunião do Copom na última quarta-feira, o mercado financeiro está prevendo exatamente o contrário. Os analistas jogaram mais para a frente – 3.º ou 4.º trimestres do ano – o início do ciclo de queda.

Antes do Copom, 14% das instituições consultadas esperavam queda da Selic já na reunião de junho. Agora, apenas 6% (3 de 53 casas ouvidas) mantêm essa projeção. Por outro lado, antes da reunião de quarta-feira, apenas 6% esperavam que o ciclo de queda tivesse início em novembro, e esse número agora subiu para 19%.

Além disso, 21% acreditam que o BC só vai baixar os juros mesmo a partir de 2024. A maioria (54%) projeta o início da queda em agosto e setembro.

O Bank of America (BofA) foi um dos que mudaram de posição após a reunião do Copom desta quarta-feira. O banco – que esperava cortes dos juros já nesta reunião – postergou a previsão de início do ciclo de afrouxamento monetário para agosto. Também aumentou a sua projeção de Selic no fim de 2023, de 11% para 11,75%.

Em agosto

O diretor de investimentos do Credit Suisse no Brasil, Luciano Paiva, diz acreditar que há espaço para uma queda da taxa básica de juros a partir de agosto – oficialmente, o banco projeta que a Selic deve ficar estável em 13,75% ao longo de todo este ano.

“A combinação de juros parando de subir lá fora, taxa de câmbio estabilizada perto do R$ 5, e expectativa de inflação doméstica reagindo bem ao novo arcabouço fiscal abre espaço para cortes de juros em agosto, setembro”, diz Paiva.

Na avaliação dele, é provável que a Selic caminhe para um nível próximo a 10%, levando em conta o juro real de equilíbrio do País e a inflação “num lugar em que parece razoável”. Paiva também aponta uma “dissonância nas informações” com base nos dados oficiais da economia brasileira – que surpreenderam positivamente neste início de ano – e a percepção dos empresários.

Ele considerou que o último comunicado foi duro no sentido de ainda manter textualmente que, se ele (Banco Central) precisar, pode subir os juros de novo. Era uma dúvida que a gente tinha, se iria suprimir isso ou se manteria. É verdade que o BC colocou que é um cenário pouco provável. Por outro lado, houve um gesto de entender que o arcabouço fiscal pode ajudar a ancorar as expectativas de inflação.

O Copom fala que a reoneração de combustíveis, em conjunto com o arcabouço, pode ajudar a ter uma perspectiva de dívida/PIB para frente mais estável. É uma combinação que, eventualmente, traz as expectativas de inflação um pouco mais para baixo. Se isso acontecer, tem espaço para corte de juros, principalmente, se a taxa de câmbio continuar nos arredores de onde está hoje. A maior parte das expectativas de inflação foi desenhada com uma taxa de câmbio um pouquinho mais alta.

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