Quarta-feira, 01 de julho de 2026

Após críticas ao colega André Mendonça, Gilmar Mendes diz que divergências não significam desunião do Supremo diante do caso do Banco Master

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nessa terça-feira (30) que as “divergências” existentes entre os integrantes da Segunda Turma da Corte não representam uma “desunião” do Supremo em relação ao andamento das investigações e das decisões envolvendo o caso do Banco Master.

A declaração do decano do STF, que é o ministro mais antigo em atividade na Corte, ocorreu uma semana depois de ele ter feito críticas à condução do inquérito que investiga o banco ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Na ocasião, Gilmar Mendes se manifestou sobre a atuação do ministro André Mendonça, também integrante do Supremo, em discussões relacionadas ao caso.

Durante uma entrevista concedida ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, no dia 22 de junho, Gilmar afirmou que André Mendonça teria cometido um “erro crasso” ao participar de debates envolvendo uma possível negociação de delação premiada do ex-banqueiro. Segundo a avaliação apresentada pelo ministro, a participação teria representado uma impropriedade, considerando que magistrados não devem atuar diretamente em tratativas entre órgãos de investigação e pessoas interessadas em colaborar com as autoridades.

Nessa terça-feira, durante a última sessão da Segunda Turma do STF no primeiro semestre, Gilmar Mendes buscou reduzir a tensão na relação com André Mendonça. O ministro afirmou manter “confiança” na atuação do colega e destacou que diferenças de entendimento entre integrantes de um colegiado fazem parte do funcionamento da Justiça.

Gilmar também declarou que a defesa de limites para a atuação dos órgãos de investigação não deve ser interpretada como uma tentativa de favorecer a “impunidade”. Segundo ele, o caso envolvendo o Banco Master representa um desafio para o Supremo Tribunal Federal, que deverá analisar a situação considerando tanto a apuração dos fatos quanto os direitos previstos na legislação.

“Tenho a certeza que este órgão colegiado saberá responder à altura os desafios que nos são trazidos a partir de mais um grande caso penal rumoroso, em que as exigências de estabelecimento de limites à atuação dos órgãos de persecução não podem ser confundidas com estímulos à impunidade ou qualquer coisa do gênero”, afirmou Gilmar Mendes.

Na sequência, o ministro reforçou a confiança no relator do caso e nos demais integrantes da Segunda Turma. “Gostaria de reiterar a confiança que deposito na atuação do relator [André Mendonça] e desta Segunda Turma. É importante que se diga que eventuais divergências quanto ao mérito de determinada medida processual não são sinônimo de desunião da Corte em relação à importância do caso e à observância dos direitos fundamentais das pessoas investigadas”, completou.

Após a manifestação de Gilmar Mendes, o ministro Luiz Fux, que assumirá a presidência da Segunda Turma no segundo semestre, afirmou que pretende conduzir os trabalhos do colegiado de forma que eventuais diferenças de posicionamento entre os ministros “jamais representem discórdia”, mas sejam tratadas como “mero dissenso”. (Com informações do portal de notícias g1)

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