Quarta-feira, 01 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de junho de 2026
A arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro e apreendida durante uma abordagem realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal havia sido temporariamente inutilizada por decisão da equipe responsável pela segurança dele, com autorização da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As informações foram obtidas a partir de relatos de pessoas que tiveram acesso aos documentos da investigação e ao depoimento prestado pelo militar que atua na segurança do ex-presidente e que estava transportando o armamento no momento da abordagem.
O veículo abordado era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, que prestou depoimento às autoridades e foi liberado posteriormente. Segundo pessoas próximas à investigação, o militar informou que levava a arma após um pedido feito pelo próprio ex-presidente para que o equipamento passasse por reparos. No momento da apreensão, o armamento estava sem o percussor, componente responsável por acionar o disparo.
De acordo com os relatos de pessoas que tiveram acesso ao conteúdo da investigação, o militar explicou que a retirada temporária da peça ocorreu por decisão da equipe de segurança. A medida teria sido adotada em razão da quantidade de medicamentos utilizados por Bolsonaro naquele período, segundo a versão apresentada no depoimento.
Conforme informações divulgadas pelo blog da jornalista Julia Duailibi, do portal de notícias g1, com base em relatos de pessoas que acompanham a investigação, a decisão de retirar o percussor foi tomada em conjunto pela equipe de segurança e familiares do ex-presidente, com o aval de Michelle Bolsonaro. Na semana anterior, a comentarista da GloboNews Ana Flor havia informado que a arma tinha passado por uma alteração após a retirada de uma peça, a pedido da família. O depoimento do militar, segundo os relatos, confirmou que a autorização para a remoção do componente partiu da ex-primeira-dama.
Ainda segundo pessoas que tiveram acesso ao depoimento, Estácio Leite da Silva Filho afirmou que ele mesmo recolocou o percussor depois de concluir o reparo da arma. O militar teria relatado, porém, que a devolução do armamento ao ex-presidente dependeria de uma autorização de Michelle Bolsonaro. Como ela não estava presente no momento em que o conserto foi finalizado, ele decidiu levar a arma para sua residência, onde faria os procedimentos necessários antes de entregá-la novamente.
Os relatos também indicam que a retirada do percussor ocorreu no mesmo período em que Bolsonaro tentou danificar uma tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda. Na ocasião, o ex-presidente afirmou que teve um episódio de alucinação e mencionou sentir “certa paranoia”, que ele associou ao uso de medicamentos.
Após o episódio envolvendo a tornozeleira, a equipe de segurança teria decidido ampliar os cuidados relacionados à integridade física do ex-presidente. A investigação busca esclarecer as circunstâncias envolvendo o transporte da arma, a retirada temporária da peça e as decisões tomadas pela equipe responsável pela segurança. (Com informações do portal de notícias g1)