Sábado, 19 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de setembro de 2026
Uma operação policial realizada em Assunção, no Paraguai, resgatou cerca de 200 trabalhadores de um call center investigado por suspeita de exploração trabalhista. Entre os funcionários encontrados no local havia um grande número de brasileiros, sendo que muitos deles estavam em situação migratória irregular no país.
A investigação teve início após uma brasileira denunciar o caso ao Ministério das Relações Exteriores do Paraguai. O órgão encaminhou o relato ao Ministério Público, que abriu uma diligência para apurar possíveis irregularidades relacionadas à empresa e às condições oferecidas aos trabalhadores.
Segundo a polícia paraguaia, a mulher relatou ter sido recrutada por meio de plataformas digitais para trabalhar no call center. A partir das informações apresentadas por ela, os investigadores passaram a apurar de que maneira os funcionários eram contratados e como chegavam ao Paraguai.
As autoridades também investigam as condições de trabalho oferecidas pela empresa, além da situação migratória e trabalhista dos funcionários encontrados durante a operação. A polícia pretende verificar se houve irregularidades na entrada dos trabalhadores no território paraguaio e nos procedimentos utilizados para a contratação.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que, até o momento, não houve solicitação de assistência consular por parte dos brasileiros envolvidos na operação. O Itamaraty informou ainda que “foi notificado da operação e acompanha seus desdobramentos, em contato com as autoridades paraguaias”.
De acordo com Humberto Aquino, comissário principal da Polícia Nacional paraguaia, mais de 40% dos brasileiros encontrados no local estavam em situação migratória irregular. Segundo o Ministério do Trabalho do Paraguai, esses trabalhadores também apresentavam irregularidades relacionadas à condição de trabalhadores formais no país.
Durante a operação, os agentes apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos que estavam no estabelecimento. O material recolhido deverá passar por análise dos investigadores e poderá contribuir para o esclarecimento das circunstâncias envolvendo a contratação e a permanência dos trabalhadores no local.
“Na verdade, a empresa funciona em diferentes níveis do prédio, no térreo, no primeiro andar e no segundo andar. Em cada um desses espaços havia aproximadamente de 50 a 70 pessoas trabalhando na modalidade de call center”, afirmou Aquino, em entrevista à emissora paraguaia SNT.
O caso é investigado como possível tráfico internacional de pessoas. A polícia também apura se os trabalhadores foram atraídos por meio de informações falsas sobre as condições de trabalho ou sobre as oportunidades oferecidas pela empresa. As autoridades paraguaias ainda buscam esclarecer se houve exploração dos funcionários durante o período em que permaneceram no call center.
A investigação deverá considerar os relatos apresentados pelos trabalhadores, os documentos apreendidos e as informações obtidas durante a operação. As autoridades paraguaias continuam analisando o caso para identificar eventuais responsabilidades e verificar as condições em que os brasileiros e demais funcionários foram recrutados e mantidos no país. (Com informações do portal g1)