Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Após pedido do governo para segurar reajuste, Petrobras diz que mantém compromisso com preços competitivos

A Petrobras disse em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que mantém seu compromisso com a prática de preços competitivos. Em meio a rumores de pressão do governo para evitar novos reajustes da gasolina e diesel, a estatal disse que busca “equilíbrio com o mercado, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato das volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais”.

A companhia afirmou ainda que monitora continuamente os mercados, “o que compreende, dentre outros procedimentos, a análise diária do comportamento de nossos preços relativamente às cotações internacionais.

O pedido do governo para manter os preços da gasolina e do diesel é visto com resistência pela atual diretoria executiva da estatal, ainda chefiada pelo presidente demissionário José Mauro Coelho. No entanto, parte do alto escalão da companhia chegou a considerar a proposta como “razoável”.

A gasolina está há 95 dias sem aumento, enquanto o diesel está congelado há 32 dias. Segundo fontes na empresa e no governo, a avaliação do Planalto é que um aumento feito pela estatal neste momento poderia atrapalhar o processo de aprovação na Câmara dos Deputados do projeto de lei que limita o ICMS em 17%.

A intenção da estatal é reajustar os preços de diesel e gasolina entre 6% e 7% nas refinarias, de acordo com uma fonte do setor. Não há uma clareza ainda de quando esse aumento seria feito. A avaliação na empresa é de que há uma defasagem crescente entre os preços da Petrobras e os do mercado internacional.

De acordo com dados da Abicom, que reúne as empresas importadoras, a defasagem nesta terça-feira está em 16% para gasolina e diesel. Ou seja, a Petrobras vende a gasolina e o diesel mais barato do que compra no exterior em R$ 0,73 por litro e R$ 0,99 por litro, respectivamente.

Privatização

À espera de que o Congresso resolva o chamado pacote dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a Petrobras e a defender a privatização da empresa.

O chefe do Executivo disse que a estatal “dá prejuízos” ao povo e tem “lucros abusivos”. “A Petrobras não tem um viés social, previsto na própria Constituição. Está tendo lucros abusivos. Quanto maior a crise, maior o lucro que a Petrobras tem”, sustentou.

Ele afirmou que há apoio “muito grande” da população para que a empresa seja vendida. “O povo está vendo que a Petrobras só visa lucro, nada mais além disso”, frisou.

Apesar da declaração de Bolsonaro, a pesquisa Ipespe, divulgada em 20 de maio, mostrou que 38% dos entrevistados são a favor de privatizar a Petrobras. Outros 49% se dizem contra, e 13% não souberam ou não responderam.

O presidente admitiu que o processo de venda é demorado. “A Petrobras, se você fala em privatizar, leva no mínimo quatro anos. A gente apresentou uma proposta inicial, não vamos botar o pé no acelerador”, disse. Para realizar a privatização, é preciso do aval do Congresso e também do Tribunal de Contas da União (TCU).

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