Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Organização Mundial da Saúde avalia emergência em saúde por causa da varíola dos macacos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia se vai declarar a disseminação de casos de varíola dos macacos uma emergência de saúde global. O diretor-chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou nessa terça-feira (14) que convocou o comitê de emergência da entidade para uma reunião em 23 de junho para debater o crescente número de infecções em todo o mundo.

A declaração de emergência internacional é o mais alto nível de alerta que a OMS pode impor. A medida não tem consequências práticas diretas e é declarada no caso de um problema de saúde “grave, repentino, incomum e inesperado” que pode se espalhar para outros países.

A OMS declarou emergência de saúde global devido a covid em janeiro de 2020. Esse alerta ainda permanece em vigor.

Até agora, mais de 1,6 mil casos de varíola dos macacos e quase 1,5 mil infecções suspeitas foram relatados à OMS em 39 países, dos quais 32 não tinham casos da doença antes de maio.

Nesses países não houve mortes pela doença – ao contrário de países onde a varíola dos macacos é endêmica, como Nigéria e República Democrática do Congo. Em países africanos, que já conviviam com a doença antes do atual surto, foram relatados oficialmente 72 óbitos. Além disso, a OMS investiga se uma morte no Brasil estaria relacionada à varíola dos macacos, informou Ghebreyesus.

A OMS também considera mudar o nome da doença. Dezenas de cientistas pedem uma denominação “não discriminatória” e “não estigmatizante”.

Comportamento “anormal”

O diretor-chefe da OMS disse que a entidade está analisando decretar a emergência global, pois o vírus está se comportando de maneira “anormal” e em vários países, o que pode exigir uma coordenação internacional para lidar com a situação.

O diretor de emergências da OMS para a África, Ibrahima Socé Fall, disse que a contagem de casos está crescendo a cada dia e as autoridades de saúde enfrentam “muitas lacunas em termos de conhecimento da dinâmica da transmissão” tanto na África quanto em outros países.

Segundo ele, o comitê de emergência da OMS reúne especialistas que estão particularmente familiarizados com a doença e que, portanto, podem aconselhar melhor a organização sobre quais medidas tomar.

“Com o conselho do comitê de emergência, podemos estar em melhor posição para controlar a situação. Mas isso não significa que estamos indo direto para uma emergência de saúde pública de interesse internacional”, destacou. “Nós não queremos esperar até que a situação esteja fora de controle para começar a agir”, acrescentou.

A especialista da OMS Rosamund Lewis disse que a organização já forneceu aos países membros várias orientações técnicas. “O mais importante é criar consciência para que as pessoas possam avaliar seu próprio risco”, destacou.

Por enquanto, para combater a disseminação global, a OMS recomenda “ferramentas comprovadas de saúde pública, como vigilância, rastreamento de contatos e isolamento de infectados”.

Neste momento, a organização não aconselha uma vacinação em massa. A decisão de administrar imunizantes “deve ser tomada caso a caso, com base em uma avaliação de risco-benefício”, orienta a OMS.

Vacinas

A Comissão Europeia informou que fechou um acordo para a compra de cerca de 110 mil doses vacinais contra a varíola dos macacos. A produção será feita pela empresa dinamarquesa de biotecnologia Bavarian Nordic.

De acordo com a comissária de Saúde do bloco europeu, Stella Kyriakides, a encomenda será adquirida por meio de fundos da União Europeia (UE) e deve começar a ser entregue aos Estados-membros a partir do final de junho – Noruega e Islândia, que não fazem parte do bloco, também receberão doses.

Na Alemanha, o Ministério da Saúde espera a entrega de uma vacina contra a varíola que pode ser usada também contra a varíola dos macacos já nesta quarta (14).

Segundo o Instituto Robert Koch (RKI), agência governamental para o controle e prevenção de doenças, há 229 casos na Alemanha, sendo 142 deles em Berlim, nenhum em mulheres e crianças.

O RKI considera baixo o risco para a saúde da população em geral na Alemanha. Embora existam transmissões isoladas, “o surto tende a não desenvolver um número exponencialmente crescente de casos”, disse Timo Ulrichs, especialista em saúde global da Universidade de Ciências Humanas de Akkon, em Berlim.

A Alemanha considera iniciar a vacinação preventiva principalmente a quem integra algum grupo de risco. Isso inclui homens que não têm parceiros fixos do sexo masculino e também funcionários de laboratórios especializados que trabalham com amostras infecciosas que contenham o vírus.

A varíola dos macacos em geral causa sintomas leves, como febre, dor de cabeça, dor muscular e erupção cutânea, e é endêmica em partes da África. Entretanto, a doença também pode evoluir para casos graves e causar a morte. O atual surto é o primeiro a surgir em vários lugares ao mesmo tempo e a não estar associado a viagens para a África.

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