Quinta-feira, 09 de dezembro de 2021

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Banco Central já injetou 4 bilhões de dólares no mercado em duas semanas para tentar conter o avanço rápido do dólar. Mas não adiantou

Com a tensão política e fiscal, o dólar se aproxima cada vez mais de R$ 6, o que levou o Banco Central (BC) a aumentar sua atuação no mercado de câmbio em pregões recentes. Nas últimas duas semanas, o montante de dólares despejado em leilões não previstos foi de US$ 4 bilhões.

Ainda assim, a moeda americana fechou esta quinta-feira (21) negociada a R$ 5,6651, alta de 1,92%, após bater a casa dos R$ 5,68, em dia sem atuações extraordinárias do BC.

Este foi o maior valor de fechamento desde 14 de abril, quando a moeda americana encerrou cotada a R$ 5,6704. No ano, a divisa acumula valorização de 9,21% ante o real.

A alta veio um dia após declarações do ministro de Economia, Paulo Guedes, de que parte dos benefícios do Auxílio Brasil, programa social que vai substituir o Bolsa Família, será pago com recursos contabilizados fora do teto de gastos, regra que impede o crescimento das despesas da União acima da inflação.

Os US$ 4 bilhões aportados no mercado pelo BC vieram por meio de cinco leilões extraordinários: US$ 3,5 bilhões foram por meio de swaps cambiais, quando são injetados dólares no mercado futuro, e US$ 500 milhões injetados no mercado direto, operação que não era feita desde 15 de março.

“O BC faz essas operações de câmbio com essa velocidade e intensidade que tem feito quando ele percebe que a taxa de câmbio está começando a acelerar com muita velocidade. É mais no sentido de que ele não vai interferir no patamar de que o câmbio vai querer chegar. O que ele quer é evitar que ocorra uma mudança muito brusca e rápida”, diz Sergio Vale, da MB Associados.

Para o gestor macro com foco em câmbio da AZ Quest, Gustavo Menezes, o BC vem sendo coerente em suas atuações, que são feitas apenas quando existe uma demanda ou movimento atípico no mercado. Ele também destaca que o BC possui um alto nível de informações sobre os fluxos de câmbio no mercado.

Menezes acredita que a volatilidade recente enfrentada pelo mercado local pode ter feito com que esses movimentos disfuncionais aparecessem em maior quantidade, mas isso não é suficiente para alterar a postura da autoridade monetária.

“O mercado absorvendo as notícias e buscando uma demanda por dólar, isso acaba gerando justamente essa procura acima do normal. Às vezes, há desencontros com maior oferta ou demanda por moeda e isso impacta diretamente o preço de uma maneira muito abrupta. O trabalho do Banco Central é mapear esses momentos em que o mercado não atua direito e agir.”

E vale destacar que não são apenas os fatores domésticos que influenciam no rumo da moeda. Momentos de maior ou menor aversão ao risco no exterior também influenciam no comportamento do câmbio durante o pregão.

“As atuações do Banco Central são para dar liquidez. Mas o efeito é pouco ou nulo, quando o fundamento está falando mais alto”, destaca o diretor da ASA Investments, Carlos Kawall.

Diferenças

O leilão de swap é uma das formas de o BC evitar um movimento disfuncional do mercado de câmbio, sendo uma operação de “hedge” (proteção) cambial.

Em termos práticos, é como se o banco injetasse dólares no mercado futuro da divisa, com a intenção de que o preço dela caia agora. Esse instrumento permite que o investidor troque o indexador de um contrato pela variação do dólar por um determinado período de tempo, definido pelo contrato.

No contrato, o BC é perdedor quando o dólar sobe frente ao real e ganha com a valorização da moeda nacional.

Já a venda no mercado direto é feita para aumentar a oferta de dólares, impedindo que a cotação da moeda dispare em um curto período de tempo.

“São maneiras de atuar diferente e para diferentes distorções mapeadas. Monitorando o mercado, você consegue identificar onde está a demanda. Tem momentos em que o câmbio sobe, mas você observa que o mercado à vista está bem ofertado. Então, dá para avaliar que a busca é por futuro”, explica Menezes.

Preferência

As operações de swap são as mais utilizadas pelo banco em suas atuações neste ano.

O estoque de swaps cambiais bateu a marca de US$ 77 bilhões em setembro, incluindo os leilões já programados que a autoridade monetária realiza em todos os pregões. O número representa alta de quase US$ 18 bilhões em sua posição vendida de US$ 58,2 bilhões no fechamento de 2020.

Vale destacar que o objetivo das operações de swap não é de gerar lucro. O BC teve perda de R$ 6,618 bilhões nas operações de swaps em outubro, até o dia 15, conforme divulgado, nesta quarta-feira, pela autoridade monetária. Desde o início do ano, houve perda de R$ 14,992 bilhões.

Em 2020, a conta ficou negativa em R$ 40,801 bilhões.

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