Terça-feira, 21 de abril de 2026

Banco Master: Vorcaro foi “alertado” de apuração sigilosa sobre imóveis 10

Homem de confiança de Daniel Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como o “Sicário”, encaminhou em junho do ano passado ao dono do Banco Master uma apuração sigilosa do Ministério Público Federal que tratava do pagamento de propina ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa por meio da aquisição e repasse de imóveis de luxo. O material foi encontrado no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal após a sua prisão.

Na quinta-feira (16), Costa foi preso por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a suspeita de ter recebido seis imóveis de alto padrão – quatro em São Paulo e dois em Brasília – avaliados em R$ 146,5 milhões, em troca de facilitar a nebulosa compra do Master pelo BRB. Um negócio que, segundo a Polícia Federal, só ocorreu por “pura camaradagem”.

O procedimento sigiloso que deu origem à investigação que levou à prisão do ex-presidente do BRB foi aberto pela Procuradoria da República no Distrito Federal em 30 de abril de 2025, um mês após o BRB anunciar a compra de carteiras fraudulentas do Master.

De acordo com a PF, do total de R$ 146,5 milhões, R$ 74,6 milhões foram efetivamente pagos – o pagamento total não teria sido efetuado porque Vorcaro teria tido conhecimento da investigação aberta pelo MPF para apurar as transações.

Segundo os investigadores, em 10 de maio de 2025, Vorcaro determinou ao advogado Daniel Monteiro, também preso na operação da última quinta, que “travasse tudo” e que não realizasse mais nenhum pagamento das transações que haviam sido acertadas com Paulo Henrique.

Monteiro foi o responsável pela administração dos fundos e contas que Vorcaro usou para desviar os recursos do banco e pagar propina para políticos e autoridades.

As cópias do procedimento sigiloso do MPF foram enviadas por Sicário a Vorcaro em 24 de junho de 2025 por meio do aplicativo de troca de mensagens WhatsApp – ou seja, mais de um mês após a ordem de Vorcaro a Monteiro.

“Embora esse envio formal tenha ocorrido em data posterior à mudança abrupta de comportamento de Daniel Vorcaro relação aos registros dos imóveis, o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias”, destacou o ministro André Mendonça em sua decisão.

Critérios pessoais e familiares

Em sua decisão que levou Paulo Henrique Costa à cadeia, Mendonça aponta que o ex-presidente do BRB “atuava como um verdadeiro mandatário” de Vorcaro dentro do banco estatal de Brasília, em troca de receber os imóveis.

De acordo com os investigadores, os imóveis de luxo e altíssimo padrão eram escolhidos segundo critérios pessoais e familiares – e tratados diretamente por Paulo Henrique Costa com Vorcaro e Daniel Monteiro.

Paulo Henrique “visitava ou validava os imóveis selecionados”, cobrava o andamento das aquisições e chegou a “demonstrar preocupação com a falta de documentação formal do arranjo”, descreve Mendonça na decisão de 32 páginas que determinou a prisão do ex-presidente do BRB.

Costa recebeu apartamentos como propina foram o Heritage, Arbórea, One Sixty e Casa Lafer, em São Paulo, além do Ennius Muniz e do Valle dos Ipês, em Brasília. O procedimento sigiloso do MPF apurava a aquisição de imóvel na Casa Lafer e suspeitas em torno de uma compra em outro edifício de luxo em São Paulo, o Vizcaya Itaim.

“Ao mesmo tempo em que o investigado ex-presidente do BRB anuncia medidas em relação a negócios envolvendo o banco que seriam de interesse de Daniel Vorcaro, prossegue demonstrando ânimo de que sua esposa possa visitar o apartamento luxuoso que, do que apurado pela Polícia Federal, seria uma das contraprestações pelos serviços ilícitos realizados”, destaca Mendonça em sua decisão.

Em mensagem enviada a uma corretora, cuja identidade foi preservada pela PF, Vorcaro diz, em referência a Paulo Henrique Costa: “Preciso dele feliz”. O texto, extraído do celular do banqueiro, foi enviado após o então presidente do BRB relatar ter ficado decepcionado por não conseguir visitar um dos apartamentos luxuosos.

Acesso indevido

As investigações do caso Master mostraram que, além do sistema do MPF, Vorcaro também teve acesso a informações da própria Polícia Federal e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

A PF investiga se houve vazamento da ordem de prisão de Vorcaro. A suspeita da PF se baseia, entre outros indícios, num pedido da defesa feito no mesmo dia em que foi assinada a determinação do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, e foi reforçada após vir à tona o acesso indevido de Sicário aos sistemas internos da PF e do MPF. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)

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