Terça-feira, 21 de abril de 2026

Lula elogia acordo com a União Europeia, mas aponta “afirmativas falsas” sobre o agronegócio brasileiro

Às vésperas da entrada em vigor do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou a parceria entre os blocos, mas pediu que os europeus levem em consideração a matriz energética limpa do Brasil, citou “afirmativas falsas” sobre a agricultura brasileira e criticou barreiras impostas ao biocombustível nacional.

Lula discursou no domingo (19) na cerimônia de abertura da feira de Hannover, na Alemanha, onde chegou na manhã de sábado. A feira, que tem o Brasil como país-destaque neste ano, será realizada até sexta-feira (26).

“O convite para a feira de Hannover consolida a posição do Brasil como parceiro confiável em mundo de instabilidade e incerteza”, disse Lula em seu discurso, que fez novas críticas diretas e indiretas ao presidente dos EUA, Donald Trump, e à guerra no Irã.

Lula também condenou a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e disse que a paralisia do órgão aponta a “necessidade de refundar a organização”. “A incorporação efetiva dos interesses do Sul Global é condição essencial para que arranjos multilaterais sejam legítimos e relevantes”, afirmou.

O presidente comemorou a entrada em vigor do acordo Mercosul-UE, que começa a valer de forma provisória no dia 1º de maio. “Em menos de duas semanas entra em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e com um PIB de US$ 22 trilhões”, disse. “Existem inúmeras complementaridades ainda não exploradas. O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e descarbonizar.”

“É essencial que o bloco leve em conta a matriz energética usada em nossos processos. Ainda combatemos afirmativas falsas a respeito da sustentabilidade de nossa agricultura. Criar barreiras de acesso a biocombustíveis é contraproducente do ponto de vista ambiental e energético. Em 1970 vivemos choques de petróleo que evidenciaram os perigos da dependência do petróleo”, afirmou.

Apesar da entrada em vigor parcial, o acordo entre Mercosul e UE ainda enfrenta resistências internas no bloco europeu e por isso foi “fatiado”. A parte que começa a valer em maio é o acordo comercial, que prevê a redução gradual e a eliminação de tarifas de produtor entre os blocos. Já uma outra etapa do acordo, que inclui temas como cooperação política e governança ambiental, ainda está pendente de aprovação. Um dos temas que geram resistência à parceria dentro da Europa é justamente a abertura do mercado a produtos agrícolas da América do Sul.

Segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), para a União Europeia, o acordo deverá elevar o Produto Interno Bruto (PIB) em ao menos € 77,6 bilhões até 2040, e as exportações anuais deverão avançar 39%. No caso do Mercosul, a agência identifica um mercado potencial europeu de cerca de US$ 43,9 bilhões em importações anuais, com foco no setor de máquinas e equipamentos de transporte.

Em seu discurso na abertura da feira, Lula também voltou a criticar o Conselho de Segurança permanente da ONU (Organização das Nações Unidas), Trump e as guerras em curso.

“Não é possível que as pessoas não compreenderam que os cinco membros do conselho permanente da ONU foram criados para que mantivessem a paz, a harmonia e evitassem a repetição da Segunda Guerra Mundial. E hoje o mundo vive a maior quantidade de conflitos de sua história depois da Segunda Guerra”, disse.

“É preciso perguntar ao presidente Trump, ao presidente Putin, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Macron e ao presidente do Reino Unido: Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que não se reúnem e param com essas guerras?”, disse.

Em referência a Trump, Lula ainda disse que não se pode permitir que o mundo “se curve ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail ou por Twitter pode taxar produtos, punir países e fazer guerras”. (Com informações do Valor Econômico)

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