Quinta-feira, 23 de julho de 2026

Bancos acham arriscado dar empréstimo ao Banco de Brasília

As negociações para um empréstimo bilionário ao Banco de Brasília (BRB) enfrentam resistência de grandes instituições financeiras privadas, que avaliam como elevado o risco da operação e defendem que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal assumam as principais garantias do financiamento. O impasse ocorre em meio ao processo de aquisição do Banco Master pelo BRB e expõe a cautela do mercado diante da operação.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, participam das conversas Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A proposta em discussão prevê a concessão de um empréstimo de aproximadamente R$ 2 bilhões ao BRB. No entanto, os bancos privados passaram a condicionar sua participação à ampliação das garantias oferecidas pelas duas instituições públicas.

Nos bastidores, executivos ouvidos pela reportagem afirmam que as áreas de risco e os departamentos jurídicos dos bancos privados avaliam que a estrutura originalmente proposta expõe as instituições a um nível de risco superior ao considerado aceitável. A principal preocupação está relacionada aos desdobramentos da compra do Banco Master, cuja incorporação ainda depende da conclusão de etapas regulatórias e da integração das operações.

Embora o BRB afirme que a aquisição fortalecerá sua posição no sistema financeiro nacional, parte do mercado considera que a transação amplia a necessidade de liquidez e aumenta a exposição do banco a ativos classificados como de maior risco. Esse cenário levou as instituições privadas a defender que Banco do Brasil e Caixa assumam parcela relevante das garantias do financiamento, reduzindo a exposição dos demais participantes.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a avaliação dos bancos é de que, por serem instituições federais e possuírem maior capacidade de absorção de riscos, Banco do Brasil e Caixa estariam em melhores condições de liderar a operação. A proposta ainda está em negociação e não há consenso sobre a divisão das responsabilidades entre os participantes.

A operação ocorre em um momento de expansão do BRB. Nos últimos anos, o banco controlado pelo Governo do Distrito Federal ampliou sua atuação para além do mercado regional, aumentou sua carteira de crédito e passou a disputar espaço com instituições de maior porte. A aquisição do Banco Master é considerada estratégica pela direção do banco para acelerar esse processo de crescimento.

Em manifestações públicas anteriores, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, tem defendido que a compra do Master permitirá ampliar a oferta de produtos financeiros, fortalecer a atuação nacional da instituição e gerar ganhos de escala. O banco também sustenta que mantém indicadores de capital e liquidez compatíveis com as exigências regulatórias do Banco Central.

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