Quinta-feira, 23 de julho de 2026

Flávio recua e diz confiar no sistema eleitoral

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma nota em que afirma ter “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro”, após a repercussão negativa de declarações feitas no dia anterior durante um encontro com embaixadores estrangeiros, em Brasília. No evento, o parlamentar voltou a associar as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic, informação considerada falsa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na reunião reservada com diplomatas, Flávio afirmou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, ao comentar um relatório da CIA sobre supostas fraudes nas eleições da Venezuela. A declaração reproduziu uma tese já desmentida diversas vezes pela Justiça Eleitoral, que afirma que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem participou do desenvolvimento do sistema brasileiro de votação.

A repercussão levou a coordenação da pré-campanha a divulgar um comunicado assinado por Flávio Bolsonaro, pelo coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e pela coordenadora jurídica, Maria Claudia Bucchianeri. No texto, o grupo afirma que o senador “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e reafirma sua “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro”. A nota sustenta ainda que as declarações foram retiradas de contexto e que o objetivo era defender a presença de observadores internacionais nas eleições de outubro.

Apesar do recuo, o comunicado não esclarece por que Flávio associou as urnas brasileiras à Smartmatic. O TSE voltou a lembrar que a empresa jamais participou das eleições brasileiras e que os equipamentos utilizados no país foram desenvolvidos pela própria Justiça Eleitoral, sendo fabricados por empresas contratadas em licitações públicas. A Corte também ressalta que não há qualquer vínculo entre o sistema brasileiro e o utilizado na Venezuela.

As declarações provocaram reações no meio político. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Flávio, afirmou confiar nas urnas eletrônicas. “Eu confio nas urnas. Se não confiasse, não estava disputando eleição”, declarou ao ser questionado sobre o episódio.

O PT também passou a avaliar a adoção de medidas judiciais contra o senador, alegando que a fala pode configurar disseminação de desinformação sobre o processo eleitoral. Integrantes do partido estudam representar à Justiça Eleitoral em razão da associação feita entre as urnas brasileiras e a empresa venezuelana.

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