Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Beber leite realmente deixa os ossos mais fortes? Especialistas explicam

Provavelmente você já deve ter ouvido que é preciso beber leite para manter os ossos saudáveis. O ponto central dessa narrativa era que o leite fortalece os ossos. Eles são feitos de cálcio, e uma xícara de leite integral contém cerca de 300 miligramas desse nutriente. Assim, beber três xícaras por dia, segundo se pensava, deveria torná-los resistentes. Mas essa mensagem foi baseada em estudos de curto prazo e impulsionada pela indústria de laticínios, afirma Walter Willett, professor de epidemiologia e nutrição da Escola de Saúde Pública T.H. Chan, de Harvard.

Ninguém precisa beber leite de vaca, defende Christopher Gardner, cientista da nutrição e professor de medicina na Universidade de Stanford. Garantir a ingestão adequada de cálcio continua importante, especialmente para alguns grupos de alto risco, mas pode haver fontes melhores.

O cálcio é um nutriente essencial, fundamental para o funcionamento dos nervos, músculos e coração, além de ser vital para a saúde dos ossos e dentes. No entanto, como ocorre com a maioria dos nutrientes, o corpo precisa apenas de uma certa quantidade. As diretrizes alimentares dos EUA recomendam que adultos consumam de 1.000 a 1.200 miligramas de cálcio por dia (mesmo valor indicado no Brasil), mas esse limite é debatido entre especialistas — e outros países, como o Reino Unido, recomendam apenas 700 miligramas.

Ensaios clínicos anteriores mostraram que, quando crianças e adultos que não ingeriam cálcio suficiente aumentavam seu consumo — seja por meio de alimentos lácteos ou suplementos —, sua densidade óssea crescia em até 3%. Mas esses ganhos eram pequenos demais para reduzir de forma significativa o risco de fraturas, esclarece Willett. Outros estudos também mostraram que é preciso consumir cálcio extra diariamente para manter esses ganhos — algo que talvez não valha o esforço, ele acrescenta.

“A ideia de que precisamos de muito cálcio baseia-se principalmente em estudos de curtíssimo prazo, avaliando o balanço de cálcio ao longo de poucas semanas”, comenta Willett. E uma análise de 79 artigos sobre leite publicados entre 1999 e 2003 constatou que mais de um terço deles recebia financiamento da indústria de laticínios.

Há até evidências de que é possível ter ossos fortes sem beber leite. Segundo uma revisão publicada em 2020, países com menores índices de fratura de quadril também tendem a consumir menos leite. E análises de múltiplos estudos mostraram que beber mais leite não estava associado a menor risco de fratura.

Claro, estudos como esses não podem provar uma relação direta entre consumo de leite e saúde óssea, lembra René Rizzoli, ex-chefe do departamento de doenças ósseas dos Hospitais Universitários de Genebra. Para demonstrar que o consumo de leite previne fraturas, por exemplo, seriam necessários ensaios clínicos específicos sobre o tema — e eles não foram realizados.

No fim das contas, seu nível de atividade física e sua dieta como um todo podem ter mais influência sobre a saúde óssea. Portanto, não conte apenas com o leite para eliminar seu risco de fraturas, recomenda Rizzoli.

A melhor opção para obter cálcio, no entanto, pode ser o consumo de laticínios fermentados, como iogurte e queijo. Eles beneficiam o microbioma intestinal, tendem a ser mais bem tolerados por pessoas sensíveis à lactose e têm relação mais forte com menor risco de fraturas do que o leite, afirma Rizzoli. Também são ricos em cálcio — uma porção de 42 gramas de queijo cheddar, por exemplo, contém a mesma quantidade que uma xícara de leite integral.

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