Quarta-feira, 06 de maio de 2026

Beira Rio transforma fábrica em passarela na moda brasileira

A decisão da Calçados Beira Rio S.A. de levar um desfile para dentro de sua operação industrial, em Sapiranga, vai além de uma ação de marketing. Trata-se de um movimento estratégico que reposiciona a narrativa da moda ao deslocar o foco da vitrine para a origem — um gesto que dialoga diretamente com as transformações recentes do consumo e da própria indústria.

O Fashion Experience reuniu cerca de 350 convidados em meio ao funcionamento real da fábrica. Entre esteiras, maquinários e fluxos produtivos, nomes como Camila Queiroz, Klebber Toledo, Kátia Aveiro e Bruno Garcia dividiram espaço com colaboradores da própria companhia. A composição não foi casual: ao integrar indústria e imagem no mesmo ambiente, a empresa construiu uma narrativa que valoriza tanto o produto quanto o processo.

Ao apresentar as coleções de suas oito marcas — Beira Rio, Moleca, Vizzano, Modare Ultraconforto, Molekinha, Molekinho, Actvitta e BR Sport —, a companhia evidenciou um dos principais diferenciais do seu modelo de negócios: a produção integral no Rio Grande do Sul aliada a uma presença consolidada em mais de 115 países. Em um cenário global marcado por cadeias produtivas fragmentadas e pressões de custo, esse controle vertical se traduz em vantagem competitiva.

A escolha do chão de fábrica como passarela também revela uma leitura precisa do momento da moda. O consumidor contemporâneo não se limita mais ao apelo estético: ele busca origem, rastreabilidade e coerência entre discurso e prática. Ao abrir sua operação, a Beira Rio transforma eficiência produtiva em valor de marca, convertendo transparência em posicionamento.

Há, ainda, um movimento simbólico relevante. Ao incluir colaboradores no centro da experiência, a empresa desloca o protagonismo tradicional da passarela e reforça a dimensão humana da indústria. Em um setor historicamente orientado pela imagem, essa inversão aponta para um novo eixo de valor, baseado em consistência, escala e capacidade de entrega.

No plano econômico, a iniciativa dialoga com a resiliência do polo calçadista gaúcho. Mesmo diante de ciclos adversos e da concorrência internacional, a indústria regional mantém relevância sustentada por integração produtiva, conhecimento técnico e adaptação contínua. A Beira Rio sintetiza esse modelo ao combinar volume elevado, agilidade operacional e presença global.

Ao final, o desfile realizado em Sapiranga deixa de ser apenas um evento e se afirma como uma declaração estratégica. Ao inverter a lógica tradicional da moda e levar a passarela para dentro da fábrica, a companhia reposiciona o papel da indústria na construção de valor no setor.

Mais do que apresentar coleções, o movimento reafirma uma ideia central: na moda contemporânea, a origem deixou de ser bastidor e passou a ser narrativa. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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