Quarta-feira, 06 de maio de 2026

CNI premia Mottin por transformar a Panvel em potência industrial

A entrega da Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria a Julio Ricardo Andrighetto Mottin, nesta terça-feira (5), na FIERGS, reconhece uma inflexão estratégica rara no varejo brasileiro: a construção de uma base industrial própria capaz de reposicionar uma rede farmacêutica dentro da cadeia de valor do setor.

Presidente do conselho do Grupo Panvel, Mottin conduziu um movimento de integração entre varejo, logística e produção que alterou o eixo de geração de resultado da companhia. No centro dessa estratégia está o Lifar, laboratório que evoluiu de suporte operacional para ativo estratégico e motor de inovação.

Os números explicam o peso da premiação. Com mais de 650 lojas no Sul e Sudeste, portfólio superior a 15 mil itens e mais de mil produtos de marca própria, a Panvel alcançou, em 2025, cerca de R$ 600 milhões em faturamento nessas linhas. Em um mercado historicamente dependente de grandes indústrias fornecedoras, o domínio sobre formulação, produção e distribuição reposiciona a empresa, ampliando margens e reduzindo dependência externa.

A verticalização se sustenta na capacidade do Lifar de operar ponta a ponta, concentrando pesquisa, desenvolvimento e produção em escala. O portfólio inclui medicamentos, dermocosméticos, proteção solar, repelentes e itens de higiene, com ciclos de inovação mais longos e controle técnico rigoroso. Produtos como a linha Dermativ, desenvolvida ao longo de dois anos, indicam uma estratégia baseada menos em velocidade e mais em consistência e diferenciação.

A lógica desse modelo aparece sintetizada na fala do empresário: “O sucesso do Lifar é o que nos dá autonomia para inovar e oferecer saúde e bem-estar com qualidade superior”. A declaração traduz o núcleo da estratégia — autonomia produtiva como condição para competir em um ambiente de margens pressionadas.

Essa estrutura já ultrapassa o ecossistema da rede. O Lifar atende mais de 30 grandes clientes no país, atuando como fornecedor industrial e ampliando sua relevância no mercado. Na prática, a Panvel passa a operar em duas frentes: varejo e indústria, um modelo ainda pouco disseminado no setor farmacêutico brasileiro.

A trajetória de Mottin acompanha essa transformação. Iniciada em 1967, consolidada ao longo de duas décadas como CEO e aprofundada desde 2016 no conselho, ela reflete uma estratégia de longo prazo baseada em integração, escala e captura de valor.

O reconhecimento da CNI ocorre em um momento em que a indústria brasileira busca recuperar densidade produtiva e reduzir dependências externas. Nesse contexto, o caso Panvel se destaca por estruturar, dentro do varejo, uma base industrial competitiva e financeiramente relevante.

Mais do que uma homenagem individual, a premiação aponta para um movimento mais amplo: empresas que deixam de atuar apenas na ponta do consumo e passam a disputar valor ao longo de toda a cadeia. No caso da Panvel, essa transição já tem escala, resultado e direção — elementos que ajudam a explicar por que o reconhecimento chega agora. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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