Quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Bolsa Família maior antes da eleição: economistas questionam momento do reajuste e impacto nas contas públicas

O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado pelo governo federal nesta quinta-feira (17), provocou questionamentos entre economistas principalmente pelo momento da medida, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições, e pelo impacto sobre as contas públicas. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, enquanto o valor médio pago às famílias subirá de R$ 675 para R$ 777.

O governo afirma que a correção corresponde à reposição da inflação acumulada medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde março de 2023, quando o atual modelo do Bolsa Família foi implantado. Segundo o Ministério do Planejamento, a variação do índice no período até agosto deste ano chegou a 15,04%.

A atualização terá impacto adicional de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026 e de aproximadamente R$ 22,7 bilhões em 2027, segundo estimativas divulgadas pela equipe econômica. O governo afirma que os gastos poderão ser acomodados dentro das regras fiscais e que será necessário ajustar o Orçamento para incorporar as novas despesas.

O principal questionamento de especialistas não está relacionado apenas ao valor do reajuste, mas ao momento escolhido para anunciá-lo. O primeiro turno das eleições presidenciais está marcado para 4 de outubro, 17 dias após o anúncio. Os pagamentos com os valores corrigidos começarão em outubro, antes do segundo turno, previsto para o dia 25.

Economistas ouvidos pelo G1 apontaram preocupação com os efeitos da medida sobre as expectativas de inflação, a demanda das famílias e a trajetória dos juros. A avaliação apresentada por especialistas é que o aumento do benefício, isoladamente, não necessariamente altera a trajetória da política monetária, mas pode ampliar as preocupações quando analisado junto ao cenário fiscal e às demais despesas do governo.

A reação dos mercados financeiros nesta quinta-feira (17) também refletiu a preocupação inicial com o impacto fiscal do anúncio. Os juros futuros chegaram a subir, enquanto o Ibovespa registrou queda durante parte do pregão. Os títulos públicos também apresentaram forte volatilidade pela manhã, em movimento associado às perspectivas para as contas do governo.

A medida ocorre um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão abriu espaço para a continuidade do ciclo de cortes, mas o cenário fiscal permanece entre os fatores acompanhados pela autoridade monetária na definição dos próximos passos.

O governo, por sua vez, sustenta que o reajuste não representa a criação de um novo benefício nem a ampliação do número de famílias atendidas. A Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que a correção baseada no INPC está prevista na legislação do programa e não se enquadra nas restrições eleitorais porque apenas recompõe os valores pela inflação.

Além do piso, serão reajustados os demais componentes do programa. O Benefício de Renda de Cidadania passará de R$ 142 para R$ 164 por integrante, enquanto o Benefício Primeira Infância subirá de R$ 150 para R$ 173. O Benefício Variável Familiar será elevado de R$ 50 para R$ 58.

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