Sábado, 24 de outubro de 2026

Brasil chega ao 2º turno entre Flávio Bolsonaro e Lula com a eleição mais imprevisível da história

O Brasil chega ao segundo turno da eleição presidencial, marcado para este domingo (25), com uma das disputas mais acirradas desde a redemocratização. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas, após o senador terminar o primeiro turno à frente do presidente por 1,87 ponto percentual.

A campanha foi marcada por embates judiciais, acusações de corrupção, manifestações, mobilização de artistas e influenciadores e questionamentos sobre plataformas digitais. Para Karolina Mattos Roeder, professora de Ciência Política da Uninter, a polarização e a margem estreita tornam o resultado imprevisível.

“A disputa é imprevisível porque reúne polarização estável e margem mínima. As pesquisas do segundo turno apontam empate técnico. Nesse cenário, qualquer variação pequena de comparecimento ou de voto nulo e branco pode decidir o resultado”.

Pesquisas

A pesquisa Quaest, divulgada nesse sábado (24), mostra Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. O levantamento ouviu 3.702 pessoas entre os dias 23 e 24 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais, e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09158/2026.

O levantamento mais recente do Datafolha, também divulgado nesse sábado, aponta resultado semelhante: Flávio tem 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Nos votos totais, o senador registra 48% das intenções de voto, enquanto o presidente aparece com 47%. Brancos e nulos somam 3%, e 2% dos entrevistados estão indecisos. Foram ouvidos 4.050 eleitores entre os dias 23 e 24 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A pesquisa BTG Pactual/Nexus aponta Flávio com 50,5% dos votos válidos, ante 49,5% de Lula. Já o levantamento CNT/MDA indica 50,7% para o senador e 49,3% para o presidente. Todos os levantamentos apontam empate técnico.

No primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

Segundo Karolina, as pesquisas enfrentam dificuldades para prever o comparecimento às urnas e estimar a transferência de votos dos candidatos derrotados na primeira etapa.

Debates e acusações

Na reta final, Lula participou de uma entrevista ao SBT, enquanto Flávio recusou o convite. Ambos, porém, participaram de sabatinas da TV Globo.

No debate da Band, realizado no domingo (18), predominaram acusações de corrupção e questionamentos sobre familiares. Também foram discutidos temas como segurança pública, saúde, economia e o fim da escala de trabalho 6×1.

Lula cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões que Flávio teria pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL). O senador questionou Lula sobre suspeitas envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e investigações sobre fraudes no INSS.

Outro destaque foi a discussão sobre a abertura dos sigilos bancários e telefônicos dos candidatos.

Sigilos

Lula apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e dos cinco filhos, caso Flávio fizesse o mesmo.

Na última quinta-feira (22), as campanhas chegaram a um acordo para disponibilizar informações fiscais e telemáticas. A negociação envolveu divergências sobre os dados e as pessoas incluídas. A iniciativa ainda dependia de aprovação do ministro André Mendonça.

TSE e Meta

A Justiça Eleitoral também esteve no centro de controvérsias envolvendo o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG). O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal por falta de registro formal, enquanto o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou uma das decisões e autorizou sua continuidade. O episódio provocou críticas e acusações de favorecimento político.

A Meta também foi questionada após retirar do Instagram um teaser da série jornalística “Revelando”, apresentado por MC Cabelinho e crítico à trajetória política de Flávio.

A empresa alegou que a restrição seguia regras eleitorais sobre conteúdos gerados ou alterados por inteligência artificial nas 72 horas anteriores à votação. A produção negou o uso da tecnologia e republicou o vídeo. Foi a segunda vez que um conteúdo da série crítico ao senador foi retirado pela plataforma, que anteriormente havia alegado erro e pedido desculpas. (Com informações do portal Terra)

 

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