Domingo, 21 de junho de 2026

Brasil regista o maior número de mortes no trânsito ligadas ao álcool desde 2016

O Brasil registrou 13.075 mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool em 2024, o que equivale a mais de 35 casos por dia. Conforme estudo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), é o maior número da série histórica desde 2016, quando ocorreram 13.095 casos.

Os dados, divulgados nesta quinta-feira, 18, revelam ainda uma queda de 19,5% na taxa de óbitos no trânsito por álcool por 100 mil habitantes ao comparar os anos de 2010 e 2024. Nesta sexta-feira se completam 18 anos da chamada Lei Seca, que estabeleceu tolerância zero para o consumo de bebidas alcoólicas na direção.

Em números, foram 1.925 mortes a menos entre 2010 e 2024, o que corresponde a uma diminuição de 12,8%. A taxa de óbitos atingiu seu menor valor em 2019, quando chegou a 5,4, com 11.261 vítimas. Mas voltou a crescer no ano seguinte, alcançando 5,5 e 11.600 casos em 2020. Também houve aumento nos demais anos até 2024, que encerrou com um índice de 6,2 e 765 mortes a mais que 2023.

“O crescimento nas ocorrências nos últimos anos tem fatores complexos”, afirma a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes.

Para ela, o número de operações com o uso de bafômetros aumentou, mas também cresceu a frota de motocicletas e a quantidade de acidentes envolvendo motociclistas. De acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 40% das mortes no trânsito envolvem esse grupo. “O trânsito ficou mais perigoso”, destaca.

Mariana defende que uma redução efetiva no número de vítimas exigiria que as leis sejam acompanhadas de investimentos em fiscalização confiável, com mais planejamento e inteligência estratégica, além de acesso a atendimento de emergência e estratégias de prevenção direcionadas.

“É um sinal de alerta importante. O Brasil avançou muito na última década para reduzir as mortes em acidentes de trânsito ocasionados pelo uso de álcool, mas ainda há desafios sérios. Um deles é a consistência das medidas de fiscalização. O impacto na redução de mortes tende a diminuir, mesmo com leis existentes, se não houver uso frequente e constante do bafômetro, sobretudo nas áreas onde os dados mostram”, diz a especialista.

Conforme a avaliação do Cisa, 18 Estados apresentaram taxas superiores à média nacional, com Tocantins (13,4), Piauí (12,1) e Mato Grosso (11,1) registrando os maiores índices. Os dados levantados reiteram que a população masculina é a principal vítima (86,7%), respondendo também por 81,8% das hospitalizações por álcool no trânsito. Em 2025, ocorreram 102.440 internações por combinação de álcool com direção, um aumento de 1,9% em comparação com o ano anterior.

“Os homens são as principais vítimas porque concentram os dois fatores de risco que mais se combinam de forma fatal: a maior exposição ao trânsito, especialmente como motociclistas, e o maior consumo nocivo de álcool”, avalia Mariana.

Ela acrescenta que também há uma dimensão cultural por trás da maior vitimização de homens, já que o consumo excessivo de álcool ainda é socialmente associado à masculinidade. “Essa mesma lógica opera no trânsito, ou seja, a predisposição para o risco, a velocidade, a resistência a usar equipamentos de proteção”, ressalta, e cita a pesquisa “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”. Com informações do portal Estadão.

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