Segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de agosto de 2026
O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite de domingo (16), que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui, além das lojas de varejo, outras empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar dívidas, enquanto a companhia mantém suas operações em funcionamento.
Segundo o grupo, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.
Em balanço, a Casas Bahia informou que registrou prejuízo de mais de R$ 10 bilhões no segundo trimestre deste ano, citando impacto de um plano de redimensionamento de sua operação que incluiu o fechamento de 298 lojas em todo o País.
A recuperação judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite a empresas em dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça, buscando evitar a falência e garantir a continuidade das atividades.
Entre as empresas incluídas no processo, estão a Bartira, fabricante de móveis, além de companhias de logística, tecnologia e comércio eletrônico ligadas ao grupo.
Em comunicado ao mercado, a Casas Bahia afirmou que a recuperação judicial foi motivada pela piora do cenário econômico, marcada por juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e redução do consumo.
“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, afirma o comunicado.
A empresa também informou que não conseguiu concluir alternativas de captação de recursos que estavam em negociação. Apesar da medida, a companhia afirma que pretende manter o funcionamento de suas lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda, buscando evitar impactos relevantes para os consumidores.
Como a recuperação judicial foi solicitada em caráter de urgência, os acionistas ainda deverão analisar e ratificar a decisão em Assembleia Geral Extraordinária, que será convocada pela companhia.
Mudanças na diretoria e no Conselho
No mesmo dia em que pediu recuperação judicial, a Casas Bahia também anunciou mudanças na liderança da empresa.
O vice-presidente das áreas Jurídica e Tributária, Fábio Spina, deixou o cargo após atuar na companhia desde 2024. Segundo a empresa, ele continuará prestando consultoria durante o processo de reestruturação.
Para substituí-lo, foi nomeada Sírley Lima, que passa a comandar as áreas Jurídica, Tributária, Compliance (responsável por garantir o cumprimento de leis e regras internas) e Controles Internos. Ela tem mais de 20 anos de experiência e já trabalhou em empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY.
O grupo também informou a saída de dois integrantes do Conselho de Administração: Jackson Schneider e Rogério Calderón. Com isso, Cláudia Quintella Woods passa a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário, e André Luiz Helmeister assume uma vaga no Comitê de Finanças.
Apesar de deixar o Conselho de Administração, Schneider continuará à frente dos comitês responsáveis por auditoria, riscos, compliance e investigações internas da companhia.